sexta-feira, 20 de setembro de 2013

Carreira na contabilidade: estudo no exterior



Hoje trataremos um pouco da formação no exterior. Eu aguardava muito essa postagem porque é algo que eu tenho incentivado muito os meus alunos e leitores do blog, assim como também é algo que eu quero fazer um dia. Acho que isso é importante para perdemos um pouco o viés da formação de uma "única" visão.
 

Edmery Tavares é minha colega do Departamento de Finanças e Contabilidade e, assim como Isabel é minha referência para entusiasmo no mundo dos blogs, ela também é a empolgação personificada quando falamos em Educação à Distância (modalidade que eu gosto muito e sempre que posso participo de cursos).



Vamos ao que interessa!

Estudar no exterior: oportunidade ou sorte?


Ao aceitar o convite para escrever um texto sobre experiência de estudar no exterior, pensei em lançar a pergunta, oportunidade existe ou é criada?

Eu, particularmente, não acredito em situações prontas e dadas facilmente, afinal, tudo que vem fácil, vai igualmente fácil. Acredito nos sonhos que são construídos paulatinamente, de verão a verão, diuturnamente, de maneira inesgotável na base de muito esforço e abdicação.

Abdicar é renunciar determinadas situações em favor de outras. E assim, a vida é feita de escolhas. Nesse incansável ballet de escolhas, um caminho deve ser trilhado a fim de atingir determinado objetivo. E como diz um velho amigo, a distância mais curta entre dois pontos é uma reta. Para tanto, o primeiro passo para a vitória é definir onde se quer chegar.

Assim antes de dar dicas e relatar um pouco da experiência de morar fora do país, digo que independente do objetivo que se queira alcançar, algumas perguntas você deve responder: Onde quero chegar? O que e como devo fazer? Quais recursos são necessários? Qual o prazo que tenho?

Responder essas questões já é um grande passo para concretização do sonho, pois a vida apresenta sempre inúmeras opções, e você precisa definir onde quer chegar para não se perder no tempo e no espaço.

Estudar ou não estudar em outro Estado ou em outro país? Eis, a questão!!

Optou pelo sim?! Então, meu caro, minha cara, vamos à fase inicial de qualquer projeto, PLANEJAMENTO! Não dá para fazer isso da noite para o dia. Afinal, estudar fora do país não é uma questão de status ou para quem é predestinado, não é simplesmente, ter dinheiro e acordar amanhã em outro país, matriculado em uma instituição de ensino porque painho e mainha decidiram! Isso depende único e exclusivamente de você. Você será seu primeiro fiador.

Como sempre digo aos meus alun@s e amig@s, estudar em outro país é para todos aqueles obstinados e destemidos que mais que sonhar acordado, agem dia e noite, ininterruptamente, semeando seu jardim de sonhos.

Nas próximas linhas, com base na experiência da autora e com base nas dicas que ela dá aos seus alunos, será apresentado um roteiro básico de como trilhar a experiência de ser um cidadão do mundo desbravando as universidades estrangeiras.

Para ilustrar algumas etapas, serão dadas dicas voltadas aos estudantes que desejam estudar na França, porém cada etapa poderá ser adaptada dependendo do tempo de duração e nível do curso que deseja realizar.

Como falei anteriormente, empreender um projeto como esse não é fácil, planeje sua viagem com no mínimo 2 anos de antecedência. Portanto, as etapas a seguir podem e devem ser facilmente administradas ao logo de 24 meses!

Eis as dicas!

Primeiro passo: desenvolver as habilidades de compreensão e expressão escrita e oral do idioma do país-destino, sem esquecer-se do inglês. Este é o coringa! Para ir com mais segurança, é indicado obter certificação de nível intermediário do novo idioma. Além disso, é imprescindível contato com algum nativo, mesmo que seja através do bate papo de redes sociais. Se resolver estudar com um professor particular, por exemplo, busque algum professor francês, inglês, polonês, japonês, alemão que resida em sua cidade. Parece difícil encontrar? Se procurar acha!

Aprender a língua do outro é no mínimo consideração por aqueles que irão lhe acolher, portanto, não vá somente com o “Je t’aime” ou “I Love you”. Inclusive isso pode causar situações desconcertantes! Outro fator que nos obriga a aprender o idioma é que muitas instituições exigem a certificação no ato de seleção, inclusive instituições de fomento que oferecem bolsas de estudos. Afinal, ninguém vai investir somente porque você é bonitinho ou bonitinha. Parafraseando, peço desculpas aos somente belos, mas inteligência, competência e humildade são fundamentais.

Segundo passo: essa está atrelada a primeira, pois ao procurar informações, é interessante que já tenha uma boa noção para compreender o conteúdo dos sites oficiais. Procurar informações sobre o país estrangeiro, sua história, cultura, arte e política. Indo mais além, você poderá desbravar as páginas das instituições de ensino nas quais vocês pretende submeter sua candidatura. Ao visitar os sites você encontrará informações sobre os programas de mestrados, as linhas de pesquisa, o corpo docente, e especificamente, procedimentos de candidatura para alunos estrangeiros.

Em algumas instituições como a Université Pierre Mendes France em Grenoble-França, através do Programme Grenoble-Brèsil são selecionados, anualmente, alunos brasileiros para realizar intercâmbio em nível de graduação, mestrado ou doutorado nas áreas de tecnologia, ciências sociais, ciências jurídicas etc.

Para ir mais além, arrisque e busque informações diretamente com os coordenadores dos cursos que pretende realizar. Apresente-se, afinal ninguém lhe conhece, e se você não enviar um email eles jamais te conhecerão. Boa sorte! Use a Internet a seu favor!

Terceiro passo: Após fazer a busca das instituições, será necessário organizar a documentação básica para as instituições de ensino: carta de motivação, curriculum vitae, carta de recomendação de dois a três professores, histórico da graduação ou mestrado e mini-projeto de pesquisa (em alguns casos, é substituído por um memoire de recherche com tema proposto pelo coordenador do master).

Quarto passo: Feito o contato com a instituição de ensino, será feito o procedimento junto a Policia Federal e todos os demais procedimentos junto ao consulado, com as devidas taxas e prazos a serem observados. Observe sempre todas as instruções.

Aos estudantes que pretende estudar na França é necessário seguir as orientações do Campus France e preencher um dossier on line. Dossier preenchido o Campus France submeterá sua proposta às intuições de ensino superior francesas, inclusive àquelas em que você já manteve contato. O veredicto final só será conhecido quando a Instituição de Ensino enviar a mais esperada de todas as cartas de aceitação para sua casa através dos Correios. Torça para este não estar em greve!

Ufa, cansou?! A brincadeira acabou de começar! Com carta de aceitação e passagens em mãos é hora de sentir as melhores sensações, é hora de cortar o cordão umbilical e voar alto (literalmente) em busca de seus sonhos e conquistar seu espaço no mundo.

Chegando à sua nova casa, sua mente se abre ao novo, você está diante do velho novo mundo, com seus mistérios, sua construção social e novos paradigmas que jamais você conheceria e vivenciaria se tivesse fincado raízes onde estava. Não importa seu destino, mova-se, saia da zona de conforto.

Então, mas porque afinal estudar no exterior se tem ótimas instituições de ensino em minha cidade, em meu país?

O fato é que ao mudar, ao sair da zona de conforto, sua mente se programa e se prepara para qualquer cenário diferente que se apresenta a sua frente. Estudar em um país estrangeiro é conhecer formas diferentes de ver a vida, é saborear novos sabores, sentir novas sensações, mesmo que seja de um rigoroso inverno que acusa -15 graus!! É criar network com pessoas do mundo todo, franceses, japoneses, chineses, ingleses, tunisianos, russos, alemães, iraquianos, bolivianos, espanhóis, coreanos. É apresentar seu primeiro seminário em francês ou inglês, ser aplaudida e parabenizada por seus colegas de classe, é pedir ajuda quando você não compreende muito bem o que o professor quis dizer por que ele não tem uma boa dicção, é buscar oportunidade de bolsa de estudos quando se vai com o orçamento limitado para financiar seus estudos, é fazer novas e duradouras amizades no metrô quando você está indo para a universidade, é viver em 12 m² e fazer do novo país sua maior moradia!

Viver fora do país é sentir um pouquinho do mundo em suas mãos, é compreender o outro em sua essência, é saber compartilhar o pouco que tem com seu vizinho de residência ou de classe, não importa a raça, origem, história do seu povo, é ser, ainda mais, humano antes de tudo.

6 comentários:

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...