quinta-feira, 25 de maio de 2017

Chegamos aos 600 mil acessos!

Ontem chegamos aos 600 mil acessos no blog!!

Agradecemos a todos por nos lerem e compartilharem o que postamos aqui.

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Reclamação enviada à CVM

Tentei enviar, na sexta-feira, uma reclamação por meio do site da CVM, mas não consegui (tente por aqui). Então enviei o email abaixo à Ouvidoria (ouvidor@cvm.gov.br) e à Assessoria de Comunicação (imprensa@cvm.gov.br e asc@cvm.gov.br).

Fiz também uma sugestão ao Ministério Público Federal, por aqui.


Segue o email e recomendo que todos os que se sentem lesados façam o mesmo.

Precisamos ampliar o conceito de investidor ativista!


Boa noite, sou Luiz Felipe de Araújo Pontes Girão, investidor e Professor de avaliação de empresas.
Sinto-me lesado todas as vezes em que vejo que alguns insiders negociam com ações das empresas antes da divulgação de fatos relevantes e nós só ficamos sabendo disso no dia 10 do mês seguinte ao da operação.
Em 2013, em uma entrevista, o então Presidente Leonardo Pereira disse que a Instrução CVM 358/2002 estava sendo revista. Todavia, até hoje não vimos nenhuma alteração.
Há cerca de 2  anos entrei em contato por telefone com a CVM e também fui informado de que a Instrução estava em vias de ser alterada. Porém nenhuma informação adicional me foi dada.
Agora, com o caso da JBS, assim como foi com o caso do grupo EBX, o Mercado clama por uma melhoria em alguns processos do mercado de capitais. A alteração dos prazos da 358 são mais que urgentes.
Gostaria de mais informações sobre isso. Se vocês têm interesse em alterar esta regulamentação, se ela está em processo de alteração ou alguma outra informação.
A base para o meu questionamento está aqui neste link:  http://contabilidademq.blogspot.com.br/2017/05/operacoes-da-jbs-ate-quando-cvm-vai-permitir-isso.html 
Agradeço antecipadamente pela resposta.

quarta-feira, 24 de maio de 2017

Ranking FolhaInvest [2016.2]

Aos que não conhecem, o FolhaInvest é um simulador da Bolsa de Valores. Lá vocês podem começar a testar as suas estratégias de investimentos. Recomendo que treinem bem lá e sempre pensando no longo prazo.

Todo semestre eu faço uma competição entre os meus alunos e dou alguns prêmios para os que tiverem o melhor desempenho no simulador. Um semestre não é bem um prazo longo, mas serve como uma introdução ao mercado de capitais.

Segue o ranking com o nome do aluno e a sua rentabilidade anual (equivalente):

1º Emanuel Barros: 18,74%
2º Clara Cananeia: 7,64%
3º Ana Laura: 5,12%
4º Cleydiane Oliveira: 4,41%
5º Micael Gadelha: 3,12%

Faço um destaque especial para Jocielen que ficou em 6º lugar no ranking, mesmo num mês conturbado como esse. Este mês ela está com um retorno de 0,68%, quando só ontem a bolsa caiu mais de 10%.

Parabéns a todos por não terem desistido, mesmo tendo alguns resultados ruins. O período que vocês entraram foi bem conturbado, mas, por outro lado, foi bom para os compradores e investidores de valor que pensam no longo prazo.

Espero que continuem pensando em investir no mercado de capitais.

Em breve receberei o relatório final das carteiras de cada aluno, inclusive com alguns outros indicadores de desempenho.

O ranking foi fechado na sexta-feira, dia 19/05/2017.

P.s.: as meninas parecem ter dominado, hein?! Gostei de ver. O mercado de capitais também é coisa de mulher!


domingo, 21 de maio de 2017

Coleta gratuita de dados de negociações em alta frequência

Dada a importância do tema, ouso dizer que esse é um dos artigos mais importantes que eu li nos últimos tempos!

Esse tema é importante porque a coleta de dados de alta frequência é muito cara. É cara tanto no sentido de saída de caixa para a compra de acesso aos dados, quanto no sentido de tempo que levamos para baixar e tratar esses dados.

Além do custo da coleta dos dados, nos chama a atenção as inúmeras aplicações para dados de alta frequência. Um exemplo disso é a detecção de negociações anormais (evidência de insider trading).

Semana passada tivemos o caso da JBS que se alguém tivesse acompanhado os dados de negociações com ações da empresa em alta frequência poderia ter percebido que uma notícia ruim estava por vir, porque vendas anormais podem indicar notícias ruins.

Agradeço a Marcos Nagamura por compartilhar esse artigo no grupo Econometria Aplicada do LinkeIn e aos autores por terem feito este trabalho. Ainda não o testei, mas o farei em breve!

Já falei tanto, então vamos ao ponto: acesse o artigo "GetHFData: a R package for downloading and aggregating high frequency trading data from Bovespa" para maiores informações.

Aqui estão dois artigos meus em que usei esse tipo de dado:
Avaliação de empresas e a probabilidade de negociação com informações privilegiadas
Preço da Ação, Disclosure e Assimetria de Informação: o Caso OGX

sábado, 20 de maio de 2017

Endividamento de empresas brasileiras estatais e não estatais

O primeiro artigo da última edição da RECFin, de autoria de Samuel de Paiva Naves Mamede, Wilson Toshiro Nakamura, Elaine Aparecida Maruyama Vieira Nakamura, Graciela Dias Coelho Jones e José Renato de Paula Souza Jardim, tem o título de “Empresas brasileiras estatais e não estatais: uma análise das relações de endividamento”. 


Os autores analisaram as relações do endividamento das empresas brasileiras estatais e não estatais listadas na BM&FBovespa (agora B3, após a fusão com a CETIP). Os resultados do artigo apontaram que quanto maior o tamanho da empresa, menor é o nível de endividamento; que o endividamento das empresas privadas é menor do que as empresas estatais e que não houve qualquer tipo de constatação e/ou inferência de que a variável concentração de capital pode trazer implicações para a possível relação significativa do endividamento contábil e de mercado nas empresas brasileiras estatais e não estatais. 

O artigo poderá ser acessado no seguinte link: http://periodicos.ufpb.br/index.php/recfin/article/view/31972

A RECFin atualmente está classificada como B3 no Qualis de Administração, Ciências Contábeis e Turismo e aceita novas submissões de artigos continuamente.

#RECFin #PPGCC #UFPB #EstruturaDeCapital

sexta-feira, 19 de maio de 2017

Operações da JBS: até quando a CVM vai permitir isso?

Quem acompanha o blog com frequência sabe que uma das linhas de pesquisa em que eu mais trabalhei nos últimos anos foi com relação a insider trading (legal ou ilegal) e informatividade das operações dos insiders (no final do post colocarei os links de alguns artigos meus e de meus colegas coautores). Eu fico muito irritado em ver os problemas de sempre se repetindo, se repetindo e se repetindo de novo.

Como não há provas efetivas de que os insiders da JBS tenham de fato operado com informações privadas (insider trading ilegal), chamo atenção ao fato de que é importantíssimo que saibamos de forma tempestiva quando os insiders das empresas em que investimentos fazem negociações.

Pela regra atual da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) (Instrução CVM 358/2002), os insiders têm até o dia 10 do mês subsequente à operação para divulgar ao mercado que compraram ou venderam ações da sua empresa. 

Eu sempre enfatizo isso: se o insider negociou no dia 1º de um mês X, ele pode divulgar ao mercado apenas no dia 10 do mês X+1. Perdemos 40 dias de tempestividade da informação. Até lá, nós, pequenos investidores, já fomos duramente expropriados.

Geralmente eles usam esse prazo bem direitinho. Vejam, o caso da JBS um pouco mais a frente.

Além disso, não sabemos exatamente quem foi que negociou com as ações.  

No caso da JBS, foi noticiado que o grupo controlador fez algumas operações de venda (Fonte: Suno Research - são os únicos que eu conheço, aqui no Brasil, que divulgam esse acompanhamento pros seus clientes/leitores) após o início das negociações secretas do acordo de delação premiada (Fonte: Exame)

O CASO DA JBS: venda de ações


Ontem, as ações da empresa (#JBSS3) fecharam cotadas a R$ 8,58 (- 9,68%). Para facilitar as contas e ser conservador, pegarei o preço mínimo do relatório dos insiders de abril (artigo 11 da 358), que foi R$ 10,11 (venda realizada em 20/04/2017). Com isso, quem comprou as ações dos controladores ao preço das vendas de abril, ontem teve uma perda de capital (caso tenha realizado) de 15,13%.

Os controladores evitaram uma perda - considerando que realizaram ontem e que venderam 31.777.500 ações em abril - de (R$ 10,11 - R$ 8,58)*(31.777.500) = R$ 48.619.575

Bom, né? Mas quem, efetivamente, perdeu com isso?

Minoritários e contribuintes perdem direta e indiretamente

Segundo apurou o Valor, durante os dias em que os controladores venderam as ações da JBS, a tesouraria da empresa comprou aproximadamente 60% das ações que foram vendidas. 

Sobrou para os minoritários duas vezes, porque eles são minoritários, mas antes de tudo são também contribuintes com os seus altos tributos que são pagos. 

Vejamos as participações de empresas estatais na JBS: Caixa Econômica Federal = 4,92% e BNDES Participações = 21,32%. A fonte disso é o último formulário de referência da empresa, que foi entregue no dia 11/05/2017.

Para quem não lembra, o BNDES detinha, em 2011, R$ 4 bilhões em debêntures da JBS. Como a empresa não cumpriu uma das cláusulas contratuais, que tratava da abertura de capital nos EUA, a JBS teve que aumentar o capital aqui no Brasil para acomodar a conversão das debêntures em ações. 600 milhões de ações foram emitidas, com valor justo de R$ 7,04.



Será que os controladores fazem operações de compra/venda de ações com frequência? 

Vamos ver os últimos relatórios do artigo 11 da 358, especificamente do acionista controlador:

     Mês/Ano        ---                        Venda/Compra                 ---   Data da divulgação 
Dezembro/2016   ---   Não houve operação                               ---   09/01/2017
Janeiro/2017        ---   Não houve operação                               ---   09/02/2017
Fevereiro/2017    ---   Não houve operação                               ---   08/03/2017
Março/2017         ---   Não houve operação                               ---   07/04/2017
Abril/2017           ---   Venda com volume de R$ 328.521.708  ---   10/05/2017

No artigo "O lado B do insider trading: relevância, tempestividade e a influência do cargo", nós comentamos que os insiders vendem ações por diversos motivos (liquidez, rebalancear a carteira... viajar pros EUA etc), então isso não quer dizer, necessariamente que houve insider trading ilegal. 

Pode ter sido apenas coincidência...

No caso da JBS, é possível que eles tenham realizado essa venda para ajudar a pagar a multa de R$ 225 milhões, pelo acordo de delação premiada.

Só para constar, em dezembro de 2016, a Diretoria da JBS vendeu 10 mil ações (volume de R$ 112.800), em fevereiro de 2017 a Diretoria vendeu 254,5 mil ações (aproximadamente) (volume de 3.145.364) e só foram essas as movimentações deste período para os insiders não controladores.

Caso não tenha havido má fé, a culpa do problema é exclusivamente da Instrução CVM 358/2002 que é totalmente ineficiente e ineficaz. Ela não nos ajuda em muita coisa e isso, como eu disse citando o "Lado B do insider trading", é uma crítica antiga.

Até quando a CVM continuará com essa Instrução sem sentido?! Me pergunto isso há muito tempo. 


O CASO DA JBS: compra de dólares

Com relação à compra de dólares, lembro que no dia de sair a delação, em um grupo de investidores que eu participo, várias pessoas comentaram sobre um movimento estranho nos contratos de dólar. À noite saiu a bomba!

Segundo apurou o Valor, a JBS teria montado uma forte posição comprada em dólar, que poderia ser superior a US$ 1 bilhão. E isso ocorreu entre as 17h00 e 18h00 do dia 17/05/2017.

Só para constar, no dia seguinte à delação, o dólar teve uma valorização de 8,06%. A maior desde 1999 com a maxidesvalorização do real.

A CVM também está apurando isso. Vamos ver no que vai dar, porque tem muita gente chateada com o nosso Xerife. Isso não é nada bom para o desenvolvimento do mercado de capitais e consequentemente do país.

Para finalizar, abaixo estão alguns artigos e outros posts relacionados ao tema. 

Boa leitura e cuidado com a volatilidade dos próximos meses!

Artigos meus sobre o tema do post:
O lado B do insider trading: relevância, tempestividade e a influência do cargo
Avaliação de empresas e a probabilidade de negociação com informações privilegiadas
Preço da Ação, Disclosure e Assimetria de Informação: o Caso OGX

Outros posts do blog sobre o tema deste post:
Tag com todos os posts sobre insider trading daqui do blog
Quanto mais insider trading melhor?
Preço da ação, disclosure e assimetria de informação: o caso da OGX
Eike Batista é acusado de insider trading por Rafael Ferri: falhas na 358?
Rafel Ferri e uma nova (possível) venda de ações da OGX por Eike Batista: falhas na 358?
De novo, Eike? Falhas na Instrução CVM 358
O Lado B do insider trading

terça-feira, 16 de maio de 2017

Inscrições para palestras e oficinas no Hackfest

As inscrições para o Hackfest - Contra a Corrupção podem ser realizadas gratuitamente no site do evento.

Não percam essa oportunidade!

hackfest.com.br
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