quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

Investidor anjo e Caso da Alliar

Amanhã, na aula de Finanças III, antes de iniciar a minha parte da aula (cujos slides divulgarei em breve), teremos uma miniprova baseada no Caso do IPO da Alliar (que está no Sigaa) e nos vídeos abaixo.

Leiam o Caso e assistam aos vídeos com bastante atenção!


Existe governança corporativa sem voto à distância?

Desde que comecei a investir no mercado de capitais, passei a me questionar sobre o porquê de não podermos votar à distância nas assembleias ordinárias e assembleias extraordinárias das empresas.

Quando Leonardo Pereira assumiu a Presidência da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), em 2012, eu comecei a acreditar que esse problema poderia deixar de ser um tabu aqui no Brasil (leia sobre isso aqui). Pouco foi feito por parte das empresas, porém a CVM lançou a Instrução CVM 561/15, trazendo a possibilidade de votação e participação à distância.

Não faz sentido, para nós, investidores minoritários (a.k.a. "minoriotários" para alguns), viajarmos longas distâncias para participarmos de assembleias e darmos o nosso voto. Isso pode ser feito à distância! As empresas gostam quando compramos as suas ações, sentados em frente aos nossos computadores, ou com os nossos celulares? Sim.

Por que não aceitar o voto à distância? Será que a governança corporativa só é boa para publicar as informações nos jornais e para responder aos questionamentos e receber os votos de quem tem muitas ações (fazendo valer à pena a viagem)?

Nesse sentido, fiquei muito feliz quando recebi, no dia 16/01/2017, um aviso do departamento de relações com investidores (DRI) da Magazine Luiza (#MGLU3). Parabéns ao DRI da Magazine!

P.s.: Gustavo Inubia (que comentou aqui nesse post - cliquem em seu perfil, para ter acesso ao seu blog) alertou sobre a obrigatoriedade para algumas empresas a partir de 2017. A Magazine Luiza se enquadra nisso. Obrigado, Gustavo!

Segue um resumo do aviso aos acionistas:

AVISO AOS ACIONISTAS
Voto à Distância
MAGAZINE LUIZA S.A (“Companhia”) vem informar que adotará o sistema de votação a distância para a assembleia geral ordinária a ser realizada no dia 20 de abril de 2017, na sede da Companhia, nos termos do art. 21-A da Instrução CVM nº 481/2009, alterada pela Instrução CVM nº 561/2015 (“IN/CVM 481”) .
A adoção do voto a distância visa promover e ampliar a participação de investidores nas principais deliberações das assembleias gerais da Companhia, bem como reforçar o compromisso da Companhia com as melhores práticas de governança corporativa.
A Companhia disponibilizará as orientações aos acionistas para o uso do mecanismo de voto a distância, oportunamente, quando da divulgação do material de convocação da assembleia.
A equipe de Relações com Investidores permanece à disposição para quaisquer esclarecimentos adicionais. 

Recorte do aviso aos acionistas sobre a adoção do sistema de votação à distância para Assembleias Gerais

terça-feira, 17 de janeiro de 2017

Materiais da primeira aula de Finanças III

Mais um semestre iniciando. Espero que os meus alunos estejam tão ansiosos quanto eu (hehehehe).

Seguem os slides que utilizarei para a primeira aula. Os textos que discutiremos poderão ser acessados clicando aqui.


segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

Tutorial: Regressão Quantilica no Stata (script e vídeo)

Nesse post e vídeo (o link está no final) eu mostro o básico da regressão quantílica no Stata. Estou supondo que você já tem o programa instalado no seu Stata. Caso não tenha, recomendo que leia o post "Como instalar um programa (.ado) no Stata que não está na SSC?", em que eu mostro como instalar os programas quando estão e quando não estão na SSC.

Eu não explicarei a matemática, nem o funcionamento geral da metodologia. Me limitarei a apresentar o passo a passo básico do Stata. Para entender a metodologia, recomendo que leiam o artigo original de Koenker e Basset (1978).

Para ver exemplos de algumas aplicações de utilização da metodologia, faço a propaganda de dois artigos meus, junto com meus coautores:
Avaliando Modelos Lineares de Value Relevance: Eles Captam o que Deveriam Captar?
O Estilo da Auditoria Afeta a Qualidade da Informação Contábil no Brasil?

O QUE É A REGRESSÃO QUANTÍLICA (RQ)

Resumidamente, é uma regressão parecida com a que nós costumamos usar (OLS, ou MQO), porém no lugar de ter como base a média condicional de uma variável dependente, dadas as variáveis independentes, a RQ não se baseia na média, mas em vários quantis.

Por que eu destaquei "média"? Em contabilidade e finanças nós temos muitos outliers e heterogeneidade alta, com muita frequência. Isso é bom, teoricamente, porque nos permite analisar casos específicos e efeitos diferentes. Porém empiricamente é ruim, porque atrapalha as nossas estimações.

Dessa forma, se eu tenho muito problema com outliers, eu posso utilizar a regressão quantílica na mediana, visto que a média é mais sensível aos outliers do que a mediana (OLS é baseado na média, então...).

Todavia, o uso para conter os efeitos dos outliers não é o mais bonito da regressão quantílica. Nos dois links dos meus artigos, que eu listei no início do post, nós apresentamos várias vantagens para o uso desse tipo de estimação. 

Mas enfatizo que para estudar sobre o assunto, a leitura é a fonte primária (Roger Koenker também tem livro sobre o assunto) ou outros autores e fontes especializados em econometria, como o livro básico de Brooks, que também fala da RQ, os artigos do Professor Luiz Renato Lima, entre outras fontes mais adequadas para isso do que meus artigos de contabilidade.

Segue um resumo do que colocamos nos artigos:
1.A regressão quantílica alivia alguns dos nossos problemas empíricos comuns em contabilidade:
(a) É menos sensível aos outliers – isso foi muito importante para o nosso artigo de qualidade da informação e auditoria porque quisemos ver os efeitos NOS outliers, que são as empresas extremas, com pouquíssimos e com muitos accruals anormais; 
(b) Podemos explorar muito melhor a heterogeneidade dos dados, pois a RQ evita a restrição de que os erros têm que ser identicamente distribuídos em toda a distribuição, ou seja, homocedásticos, permitindo-nos explorar a heterogeneidade das empresas; e 
(c) A RQ é robusta inclusive para distribuições com caudas muito pesadas e "não normais". É semiparamétrica.
2. A RQ é uma extensão dos modelos baseados na média condicional (eg OLS), servindo como um conjunto de modelos baseados no quantil condicional, permitindo analisar a distribuição toda e não focar apenas na média condicional.
3. Com essa metodologia, nós não precisamos quebrar a amostra simplesmente em subamostras, aumentando o viés de seleção amostral, mas usamos toda a amostra para estimar cada quantil. 
No caso do artigo de auditoria e qualidade da informação contábil, isso foi importante porque queríamos avaliar o efeito da orientação do auditor na qualidade da informação contábil reportada, tanto para empresas com alto, com baixo e com médio/mediano nível de qualidade informacional.
Se não fosse pela RQ, teríamos duas saídas: (a) quebrar a amostra em várias, aumentando o viés de seleção amostral e reduzindo o poder de teste (pela redução dos graus de liberdade), ou (b) usar variáveis dummies interagindo com as minhas variáveis de interesse, o que também reduziria o poder de teste (pelo aumento de regressores e redução dos graus de liberdade), além de que... trabalhar com muitas dummies e interação é muito chato - sempre aumenta o grau de multicolinearidade. 
4. Não precisamos perder informações utilizando tratamento de dados como winsorização e scale (ponderamento das variáveis). Como eu disse, outliers e heterogeneidade são bons para a RQ.

Nas considerações finais deste artigo nós deixamos outras ideias de aplicação da RQ, para quem tiver interesse.


COMO ESTIMAR A REGRESSÃO QUANTÍLICA NO STATA - Tutorial básico

Agora que já apresentei uma overview sobre o método, vamos ver como fazer isso no Stata (o GRETL também faz o mesmo trabalho, mas tenho preferido o Stata).

Como eu já apresentei dois artigos meus, com dados reais e do Brasil, vou fazer um exemplo com dados do próprio Stata (base 1978 automobile data). Didaticamente ficará melhor de entender para a maioria das pessoas.

Existem algumas formas diferentes de se estimar uma RQ no Stata. Para estimar apenas uma regressão quantílica, devemo usar o comando qreg. Se não definirmos o quantil, por padrão ele usa a mediana. 

Vamos aos comandos básicos e resumidos. No meu do-file (script), que você pode encontrar clicando aquieu comento cada comando e ainda apresento detalhes adicionais.

A) Estimação da RQ na mediana: qreg "Variável dependente" "variáveis independentes"
Exemplo: qreg mpg price rep78 foreign
B) Estimação da RQ em um quantil definido por vocêsqreg "Variável dependente" "variáveis independentes", quantile(."número do quantil")
Exemplo: qreg mpg price rep78 foreign, quantile(.10)
C) RQ simultânea: sqreg "Variável dependente" "variáveis independentes", quantile(."número do quantil" ."número do quantil" ."número do quantil")
Você pode inserir quantos quantis quiser estimar. Essa metodologia não usa a estimação original de Koenker, mas usar os erros padrão em bootstrap.
Exemplo: sqreg mpg price rep78 foreign, quantile(.10 .30 .50 .70 .90)
D) Após estimar uma regressão quantílica, você pode rodar o gráficogrqreg "Variável que quero gráfico", "opções que quiser inserir"
Exemplo: grqreg rep78, ci ols olsci qstep(.05)
Caso queira o gráfico de todas as variáveis de uma só vez, basta retirar a variável que você quer do comando - rep78, nesse caso, deveria ser retirada. Assim o programa criará o gráfico de todas as variáveis.
C) Para testar estatisticamente as diferenças entre os quantis, pode-se usar o teste de Wald: test [q"Número do quantil"]"Nome da variável"=[q"Número do quantil"]"Nome da variável"
Exemplo: test [q10]rep78=[q50]rep78=[q90]rep78

Lembrando que no do-file existem mais comandos e cada um desses está explicado da melhor forma que eu consegui, inclusive com interpretação das estatísticas. Clique aqui para acessá-lo.

Para quem preferir, abaixo está o vídeo-tutorial:

sábado, 14 de janeiro de 2017

O "valor justo" é "justo"?

Em "A (In?) Justiça do Valor Justo: SFAS 157, Irving Fisher e GECON", Paulo Roberto Barbosa Lustosa analisou a adequação dos conceitos de mensuração presentes no Statement of Financial Accounting Standards number 157.

Apesar da intenção “filosófica” por trás do uso do adjetivo “justo”, pelo FASB, o autor demonstra, após discutir sobre contabilidade econômica e mensuração contábil, que não se pode garantir a justiça em todas as mensurações a valor justo.

Este é um bom artigo para se ler e discutir sobre teoria e mensuração contábil com alunos, Professores e demais interessados no tema.


A versão em inglês poderá ser acessada aqui: http://periodicos.ufpb.br/index.…/…/article/view/32293/16915

A RECFin está classificada como B3 no Qualis CAPES e aceita submissões de artigos de modo ininterrupto.

sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

Processo de falência do Hopi Hari é extinto

Ano passado o Hopi Hari entrou com um processo de recuperação judicial e hoje teve o processo de falência requerido pela Unialimentar Comércio e Serviços de Alimentos Ltda extinto. Eu não acompanhei o caso do começo ao fim, então não sei bem o que aconteceu no meio termo, porém essa é uma boa notícia, aparentemente, porque aqui no Brasil a recuperação judicial não tem recuperado muita coisa. 

Eu acompanho todos os dias o movimento falimentar publicado no Valor. Às vezes nem leio o jornal, mas o movimento falimentar eu leio. Tentarei ficar de olho em mais novidades sobre esse caso. 

Eu gosto de parques...

Espero que eles se recuperem (alguns planos para isso) de fato e paguem ao BNDES. Não queremos mais uma empresa destruindo o nosso dinheiro.

P.s.: o site de relações com investidores deles é um dos piores que eu já vi em toda a minha vida. Isso, talvez, represente um pouco da mentalidade antiga da empresa e isso talvez ajude a explicar um pouco o porquê de eles terem ido à recuperação judicial.

Até à CVM eles ficaram devendo, inclusive.

É possível morrer e reviver na bolsa?

Nessa entrevista do Foras da Curva, Guilherme Aché, conta como "quebrou" na bolsa e, pela entrevista, dá para saber como ele ressurgiu.

O cara é um seguidor da filosofia do Value Investing e abomina os trades (veja essa entrevista com Luiz Barsi, sobre análise técnica). 

Lá pelos 17 minutos Aché fala sobre dois cases: Equatorial e Imaginarium. 



A Equatorial já é uma empresa de capital aberto, enquanto que a Imaginarium não (ele investiu nela por meio de um fundo de private equity). Olhem só a ideia de longo prazo de um investidor de valor: ela está encarteirada há 10 anos!

Olha só a evolução no preço da ação:

Retirado do Fundamentus

A Imaginarium ainda não tem capital aberto - nem sei se seria atrativa para tanto - mas é uma loja que vende muito bem (e bem caro).

Quando fala da Petrobras, Aché toca mais uma vez na "convicção" dos investidores. Isso é muito importante. Eu tenho convicção na maioria das minhas escolhas, mas tem algumas (#MAGLU3, por exemplo) que me dão receio algumas vezes. Mas, como ele também disse, os investidores de valor precisam também ser um pouco flexíveis às vezes.

É isso aí. A série é muito boa e vale à pena assistir!
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