sexta-feira, 31 de março de 2017

Citação em lote: o problema e a solução

Estou lendo uma dissertação, para participar de uma banca de mestrado, e lembrei de uma coisa que eu costumava fazer muito, mas que agora tenho me policiado para não fazer: citação em lote.

(esse é um nome que eu inventei agora - não sei tem um nome específico para essa prática, se alguém conhecer uma definição específica, peço que me avise).


O QUE É A CITAÇÃO EM LOTE

O que eu chamo de citação em lote é a prática de tentar definir alguma coisa e colocar um monte de citações no final da ideia para dar mais "confiabilidade" ao que você quer dizer.

Essa é uma forma de citação indireta, então não sabemos bem quem disse o quê ou mesmo se realmente disseram aquilo, ou se foi uma interpretação equivocada do autor que fez uso da citação em lote.


O PROBLEMA

Citação em lote equivocada, na minha opinião

Esse tipo de citação, apesar de ser muito usada, não é uma boa prática de escrita científica, porque não conseguimos identificar exatamente quem disse aquilo, ou mesmo se disse daquela forma.



O que acontece com muita frequência é algo mais ou menos assim: 

Existem evidências de que as IFRSs melhoraram a qualidade das informações contábeis em diversos países como Brasil, Alemanha, Inglaterra, porém depende, em alguns casos, do enforcement, da qualidade do órgão regulador, dos auditores, entre outros fatores (AUTOR 1, 2010; AUTOR 2, 2010; AUTOR 3, 2015; AUTOR 4, 2015, AUTOR 5, 2015, AUTOR 6, 2016).


COMO RESOLVER O PROBLEMA?

Citação em lote correta, na minha opinião
No exemplo acima, quem disse o quê? Todo mundo encontrou nos seus trabalhos empíricos exatamente a mesma coisa? Todos trabalharam com todos aqueles países?


Uma forma de citar um monte de trabalhos mais ou menos relacionados, no mesmo parágrafo, é separar quem encontrou o quê.


Naquela citação em lote que usei como exemplo, poderíamos fazer mais ou menos assim:

Algumas pesquisas evidenciaram que o uso das IFRSs melhorou a qualidade das informações contábeis, a exemplo do Brasil (AUTOR 3, 2015; AUTOR 4, 2015; AUTOR 5, 2015), Alemanha (AUTOR 1, 2010) e Inglaterra (AUTOR 2, 2010). Todavia, também existem evidências de que o efeito das IFRSs na qualidade das informações contábeis pode variar, de acordo com o enforcement (AUTOR 3, 2015), qualidade do órgão regulador (AUTOR 1, 2010), qualidade dos auditores (AUTOR 2, 2010), dentre outros fatores mais específicos (AUTOR 6, 2010).

Esse é um exemplo extremo, mas que costuma aparecer de vez em quando.

Eu tenho tentado evitar isso e sempre recomendo que meus orientandos não usem os lotes de forma "equivocada".

Essa visão é corroborada por outros editores de grandes journals, como o Professor Ervin Black (editor do JIAR) e o Professor Salvador Carmona (editor do EAR). 

Assisti a uma palestra de cada um deles, em que eles colocaram isso como um tópico específico para comentar: olha quão importante isso é!

Para mais dicas sobre pesquisas, monografias, artigos etc, clique aqui.

quinta-feira, 30 de março de 2017

Após fusão, BM&FBovespa e CETIP se tornam B3

O novo nome da nossa bolsa é B3 (Brasil Bolsa Balcão).

Segue o vídeo de apresentação da nova marca:

quarta-feira, 29 de março de 2017

Fusões e Aquisições (M&A) [Materiais da aula]


Depoimentos sobre o Desafio Universitário Empreendedor


Ano passado eu tive uma aluna que participou da seminfinal estadual (veja aqui) do Desafio Universitário Empreendedor, organizado pelo SEBRAE, e neste ano eu tive dois alunos que participaram e dois que foram convocados, mas não puderam participar.


Será que terei mais alunos na semifinal no ano que vem?!



Pessoalmente, mais uma vez, eu fiquei em segundo lugar na Paraíba, como Professor. Mas a melhor parte é o que está abaixo: ver que os meus alunos conseguiram aprender alguma coisa com o pequeno incentivo que eu dou para participar do jogo.




Aqui está o depoimento de Isis Miranda, uma das alunas que participou da semifinal neste ano. Espero que motive mais alunos a participarem!

No começo do mês de março recebi a notícia de que eu havia sido selecionada para participar da semifinal presencial do DUE (Desafio Universitário Empreendedor), realizado pelo Sebrae. Foi uma surpresa! Eu havia jogado o jogo do desafio universitário no início de 2015 e à medida em que o semestre começou a demandar mais atenção, tive de deixar o jogo um pouco de lado. Não conseguia mais ter tempo de jogar. Mas durante o tempo em que eu joguei, me dediquei bastante, joguei intensamente, conseguindo assim me classificar para a semifinal através do ranking histórico.

Na semifinal presencial, foram três dias de muitas dinâmicas, jogos de estratégia e trabalho em equipe. Cada um dos quarenta participantes teve que apresentar uma ideia de empreendedorismo inovador. Votamos nas dez melhores ideias e a minha foi uma das dez escolhidas. Novamente, uma surpresa!

Daí foram formados grupos de quatro pessoas de acordo com a ideia que os participantes mais se identificavam. Trabalhamos dia e noite nesses três dias para planejar e desenvolver a ideia de negócio através do Canvas (guia visual para construção do modelo de negócios).

Ao fim da semifinal do DUE, foram selecionados os quatro projetos mais votados, entre os quarenta, para irem para à final que ocorrerá em Brasília, durante o mês de abril.

Essa foi uma experiência muito proveitosa, a qual eu adorei participar. Lá compartilhamos muito mais que conhecimentos sobre empreendedorismo. Não faltou determinação, foco, espírito empreendedor, amizade, união, companheirismo, alegria, diversão, superação e a entrega de todos os participantes. Conheci pessoas altamente competentes e conquistei amizades com pessoas incríveis.

Parabéns a todos os participantes do Desafio Universitário 2016!

Agradeço a cada um de vocês e aos demais que estiveram envolvidos nesse grande evento realizado pelo Sebrae. Foram três dias incríveis, me surpreendi até o último instante. Se tratava de uma competição, mas o que prevalecia era a amizade, parceria e alegria. O aprendizado foi enorme, foram momentos que ficarão guardados pelo resto da vida

Parabéns aos finalistas, a Paraíba está sendo muito bem representada, vamos trazer esse prêmio pra cá. 

E agora vou me dedicar a jogar intensamente para participar do próximo ciclo DUE e passar a final!

Comparação de histogramas de variáveis transformadas

Recebi um email de uma aluna me perguntando sobre como comparar vários histogramas de uma mesma variável, porém com diversas transformações.

O comando que vocês podem utilizar é o gladder, no Stata.

O programa nos dá a seguinte saída:

VM é a variável "valor de mercado". Acima de cada gráfico está o tipo de transformação de VM


"Identity" é a variável original, sem nenhuma transformação.

terça-feira, 28 de março de 2017

Depreciação ou Impairment: qual usar?

Esse post foi escrito por Vinícius Gomes Martins, um dos coautores do Blog.

Nas minhas aulas sobre Ativo Imobilizado, há um questionamento frequente por parte dos alunos:

Professor, um veículo novo assim que sai da loja já ‘deprecia’ 10%? Devido à desvalorização de mercado?

Qual seria a resposta?

Para que entendamos essa questão, é importante termos em mente que, fundamentalmente, poderemos recuperar um bem de duas formas básicas: 
a) por meio do uso; ou
b) por meio da venda/troca.

Quando uma empresa classifica um bem no ativo imobilizado, intrinsecamente, a intenção inicial da gestão para com esse ativo é recuperá-lo por meio da utilização (valor de uso). 

Portanto, a depreciação deve refletir a parcela que foi consumida, por meio da utilização do bem, da capacidade de geração de benefício econômico do ativo.

EXEMPLO 1
Voltando ao questionamento inicial, digamos que, por exemplo, uma empresa adquiriu um veículo novo por R$ 37.000,00 e acredita que esse veículo tenha capacidade de gerar benefício econômico (por meio da utilização) durante 6 anos (período pelo qual acredita recuperar os R$ 37.000 investidos por meio da utilização). 

Entretanto, assim que o veículo sair da loja e andar 5 km até a empresa, o mercado só o atribui R$ 34.000,00.

Pois bem, se a depreciação deve refletir a perda da capacidade de o veículo gerar benefício econômico por meio da utilização, justificaria depreciá-lo em R$ 3.000,00 assim que o mesmo sair da loja? 

Ou melhor, o fato de o veículo sofrer a citada desvalorização de mercado, ao sair da loja, significa que o mesmo perdeu R$3.000,00 da sua capacidade de gerar benefícios?

Acredito que não! 

Ao sair da loja, desconsiderado a ocorrência de algum sinistro, o veículo permanece com a mesma capacidade de gerar benefícios por meio da utilização, logo, não se deve depreciar os referidos “10% pela desvalorização de mercado”.

EXEMPLO 2
Um outro questionamento que surge é o seguinte: 

E se o veículo estiver sem seguro e ocorrer um sinistro, reduzindo assim a sua capacidade de geração de benefício econômico por meio da utilização? Devo depreciar esse valor que a empresa não mais irá recuperar por meio do uso?
Mais uma vez, qual seria a resposta?

Para responder a esse questionamento, vamos partir do mesmo exemplo anterior.

Vamos imaginar que o veículo adquirido por R$37.000,00 sofreu um sinistro no trajeto entre a concessionária e a empresa e que o veículo não estava com seguro. 

Com a ocorrência de tal fato, a expectativa da empresa é que só conseguirá utilizar esse bem por no máximo 5 anos e que o benefício econômico que será obtido pela utilização do veículo nesses 5 anos é estimado em R$32.000,00. 

Devido aos danos provocados pelo sinistro, digamos que o valor de mercado (líquido das despesas com venda) do bem passe a ser R$30.000,00.

Deveríamos registrar uma despesa com depreciação no valor de R$5.000 (37.000 – 32.000)?

Considerando que a depreciação é o reflexo da perda da capacidade de geração de benefício econômico do bem PROVOCADA PELA UTILIZAÇÃO, mais uma vez, o veículo não deveria ser depreciado, pois, a redução da capacidade de geração de benefícios de R$ 5.000,00 não foi provocada pelo uso, mas pelo citado sinistro (uma perda e não uma despesa). 

Neste caso, o procedimento mais adequado para ajustar o valor do veículo seria a aplicação do teste de impairment.

O teste de impairment consiste em ajustar o valor contábil de um bem ao seu valor recuperável, isto é, busca impedir que as empresas registrem ou mantenham registrados ativos por valores acima do que ela consegue recuperar. 

Conforme o CPC 01 (R1), o valor recuperável de um bem é o maior valor que a empresa consegue recuperar ou por meio da utilização ou por meio de uma venda/troca.

Portanto, considerando que o valor recuperável do veículo é o seu valor de uso (R$ 32.000), pois, esse é superior ao seu valor de venda líquido (R$30.000), logo, a empresa deverá registrar uma PERDA por redução ao valor recuperável, no valor de R$5.000.

Esses exemplos nos permitem observar as diferentes finalidades entre dois procedimentos – depreciação e impairment – que por vezes aparentam ter o mesmo objetivo. 

Finalizando esta postagem, deixo aqui a seguinte indagação: partindo do objetivo das informações contábeis, e utilizando uma visão econômica, seria possível ajustar os valores dos ativos apenas por meio do teste de recuperabilidade (impairment), descontinuando os ajustes por meio da depreciação?

segunda-feira, 27 de março de 2017

Síntese Cronológica sobre a Contabilidade Pública em Portugal, seu Passado, Presente e Futuro (1222-2016)

O artigo de autoria de Miguel Gonçalves, Miguel Lira e Maria Conceição Marques pode ser acessado clicando aqui.

Resumo


Objetivo: Expor e divulgar, de forma cronológica, os principais traços do desenvolvimento sofrido pela contabilidade pública portuguesa desde o surgimento de Portugal como nação independente no século XII até aos nossos dias, privilegiando a contabilidade de instituições centrais. Espera-se, assim, contribuir para o aprofundamento da identidade profissional dos contabilistas.
Fundamento: A publicação do Decreto-Lei n.º 192/2015, de 11 de setembro, representa um acontecimento importante para a história da contabilidade pública portuguesa. Esta peça legislativa aprovou o novo Sistema de Normalização Contabilística para as Administrações Públicas (SNC−AP), o qual entrará em vigor em 1 de janeiro de 2018.
Método: A metodologia utilizada consistiu numa revisão da literatura e o método de recolha e geração de informação compreendeu uma análise de textos e documentos. As fontes primárias resumem-se essencialmente a legislação relacionada com a contabilidade pública portuguesa e as secundárias integram artigos científicos, académicos, profissionais, comunicações em congressos internacionais, teses de doutoramento, dissertações de mestrado e dicionários.
Resultados: A conclusão principal do estudo valida a teoria preexistente, a qual explica que, em Portugal, foram poucos os períodos de tempo em que o sector público executou a sua contabilidade por partidas dobradas.
Contribuições: Este artigo apresenta a implicação social de poder ser usado pelos especialistas nas suas exposições sobre o SNC−AP como estimulante introdução histórica acerca do caminho percorrido em Portugal até à sua implementação em 2018. Os resultados podem ser utilizados pelos professores de contabilidade de qualquer grau de ensino nas suas preleções sobre a evolução da contabilidade portuguesa e por todos aqueles que se dedicam à parte histórica da disciplina.
Palavras-chave: Portugal. História da Contabilidade. Contabilidade Pública. Partidas Dobradas. SNC-AP. 


Recompra de ações da Minerva: sinalização ao mercado

A Minerva lançou um fato relevante informando que recompraria suas ações. Isso ocorreu após a operação Carne Fraca. Após a operação, as ações da empresa tiveram uma forte queda, contudo a Minverva (BEEF3) não foi citada na operação.

Isso é um exemplo de sinalização no mercado de capitais. A empresa quer mostrar que não tem nada a ver com a situação e que é tão boa que ela mesma comprará suas próprias ações, pois estão baratas.

P.s.: isso não é uma recomendação de compra. Além de não acompanhar esse setor, eu não tenho autorização legal para fazer recomendações.

Acesse o fato relevante aqui.

domingo, 26 de março de 2017

2º Lista de exercícios de Administração Financeira


Inferência e testes de hipóteses [Materiais da aula]

Continuando a revisão de estatística básica, na aula desta semana trataremos sobre o básico da inferência. Para acessar os materiais da aula passada, sobre distribuição de probabilidades, clique aqui.

Esse exemplo é bem didático!

1 SLIDES


2 ARQUIVOS

3 DO-FILE DOS PRINCIPAIS COMANDOS USADOS
** Teste t para amostras independentes
ttest mediaturmas, by(turmas)
robvar mediaturmas, by(turmas)
ttest mediaturmas, by(turmas) welch

** Teste t para amostras emparelhadas
ttest var1==var2

** Teste ANOVA
oneway var1 var2, tabulate
oneway var1 var2, bonferroni scheffe sidak
fstar var1 var2
wtest var1 var2

** Testes não paramétricos
* Kruskal-Wallis:
kwallis VARIÁVEL, by(GRUPO)
* Mann-Whitney:
ranksum VARIÁVEL, by(GRUPO)
* Teste de mediana:
median VARIÁVEL, by(GRUPO) exact
* Teste de Wilcoxon:
signrank var1=var2



4 DO-FILE DOS EXERCÍCIOS QUE ESTÃO NO FINAL DOS SLIDES
Clique aqui.

Mudança do local da aula de Métodos Quantitativos I

Recebi este comunicado da secretaria. É apenas para a aula desta segunda-feira. Fiquem atentos.

Comunicamos os locais de realização das aulas das disciplinas de Métodos Quantitativos I e Metodologia da Pesquisa nos dias 27 e 28/03/2017.
Métodos Quantitativos I - Auditório Azul
Metodologia da Pesquisa - Sala de aula do 1º andar do PPGCC
As demais aulas serão realizadas na sala 08.

sexta-feira, 24 de março de 2017

Materiais das aulas de teoria das carteiras

Aqui estão os slides, com um pouco de atraso, das 3 aulas teóricas sobre teoria das carteiras.

Lembro que após a prova teremos uma aula prática no laboratório e vocês devem assistir ao vídeo para otimizar as suas carteiras, para que possamos discutir na aula prática.

Bons estudos e bons investimentos!

Conteúdo: diversificação e seleção de carteiras em geral. Tipos de retornos. Variabilidade dos retornos. Características das carteiras. Mensuração do risco. Otimização de carteiras. Efeito da diversificação. Críticas ao modelo de Markowitz.


Filme sobre a criação do Plano Real

Para quem ainda não viu, segue o trailer do filma que será baseado no livro "3000 Dias no Bunker: uma ideia na cabeça e o país na mão", de Guilherme Fiuza.

Ainda não li o livro, então estou, no mínimo, curioso pelo filme.

Para mais indicações de filmes sobre finanças, clique aqui.

 

Torneio Empreendedor

Recebi um email de mais um jogo de empresa. Esse eu não conheço, até porque é a primeira edição.

Os que gostam de jogos de empresas, deem uma olhada no site deles e vejam o que acham.

As inscrições poderão ser efetuadas até o final do mês, vocês terão direto a certificados e concorrerão a prêmios em dinheiro.

quarta-feira, 22 de março de 2017

Prêmio dos alunos com as melhores notas de Adm Financeira (2016.1)

Quinta-feira passada eu anunciei os vencedores e ontem eu entreguei os prêmios aos vencedores.

Parabéns Leony e Rômulo, que sirvam de inspiração para os demais alunos!

P.s.: as fotos ficaram um pouco tremidas, mas o que vale é a intenção.

Leony, aluno da turma da manhã (média 10) - atualmente é também meu monitor e está cursando Finanças III

Rômulo, aluno da turma da noite (média 9,9) - não vou me perdoar por não ter arredondado para 10 kkkk

segunda-feira, 20 de março de 2017

Valuation do Snap: ação cara ou barata?

Essa foi a avaliação mais sensata (e didática) que eu vi do Snap até agora.

Eu não sou muito fan de investir em empresas como essa (já falamos do IPO aqui no blog). Vocês são? Deem uma olhada no vídeo abaixo.

sábado, 18 de março de 2017

Impacto da crise de 2008 na bolsa de valores de Karachi (Paquistão)

Asiya Sohail, Mobeen Ur Rehman e Atiya Yasmin Javid, ambos de Islamabad, capital do Paquistão,  tiveram o artigo “Stock Market Reactions on Returns and Trading Volume: the Impact of the Global Financial Crisis” publicado na seção internacional do primeiro número de 2017 da RECFin.

Os autores analisaram um possível efeito de under- e overreaction na Bolsa de Karachi, devido à Crise de 2008. Os autores encontraram evidências significativas de overreaction nas primeiras duas semanas e underreaction na 12ª e 24ª semana. 

Além disso, os autores evidenciaram efeitos diferentes para ações de empresas do setor financeiro e não financeiro.

O artigo completo poderá ser acessado no link abaixo: http://periodicos.ufpb.br/ojs2/index.php/recfin/article/view/29547

A RECFin atualmente está classificada como B3 no Qualis de Administração, Ciências Contábeis e Turismo e aceita novas submissões de artigos continuamente.
#RECFin #PPGCC #UFPB #FinancialMarkets #FinancialEconomics

quinta-feira, 16 de março de 2017

Alunos com a melhor nota em Administração Financeira (2016.1)

Demorou, mas chegou a hora!

Os campeões foram:

Turma da manhã -  LEONY ALEXANDRE GABRIEL SOARES - média 10
Turma da noite - ROMULO JOSE DUARTE AMANCIO - média 9,9 (espero que no sistema eu tenha arredondado isso para 10! kkkk)

Em breve anunciarei o local da retirada do prêmio.

A competição foi muito acirrada. Parabéns aos dois!

Classificação da Moodys: o Brasil está estável?

Ontem a Moodys divulgou que mudou a perspectiva de nota do Brasil. Segundo a Moodys, a situação do Brasil passa de negativa para estável. Todavia, ainda não retomamos o nosso grau de investimento.

Eu, particularmente, ainda não classificaria o Brasil como estável.

Segue a notícia publicada no Valor de  ontem:
A Moody's pegou de surpresa boa parte do mercado, que qualificou como "ousada" a decisão da agência de alterar a perspectiva da nota de crédito do Brasil de "negativa" para "estável". Para justificar a ação, a Moody's citou estabilização econômica, convergência da inflação à meta, melhora da perspectiva fiscal e do ambiente institucional e números.


quarta-feira, 15 de março de 2017

Dá para fazer mestrado sem sair do emprego?

Eu, Raíssa, Professores Orleans e Nakamura
Hoje estreei como membro de banca de mestrado.

Foi uma grande experiência, principalmente por ter dividido a "banca" com essas duas feras palmeirenses e de contabilidade e finanças: Professores Wilson Toshiro Nakamura e Orleans Martins

A então mestranda fez o curso de mestrado, sem bolsa, tendo que continuar trabalhando e ainda cumpriu o prazo correto.

Se você tem dúvida se tem condições de concluir o mestrado da forma como eu citei acima. A resposta é sim! Sem dúvidas! 

Lógico, vai ser difícil, vai ser doloroso, você terá várias limitações, mas no final o gosto pode ser até melhor. No pain, no gain.

Quer saber como ingressar no mestrado? Clique aqui.

Investidor de valor?

Às vezes bate um arrependimento quando vendemos as ações e elas sobem...

Frase do dia:
se alguém está tendo um dia ruim, lembre-se
 de que em 1976 Ronald Wayne vendeu seus
10% de participação na Apple por $ 800.
Agora esses 10% valem $ 58.065.210.000

segunda-feira, 13 de março de 2017

Qualidade da empresa, da gestão e preço/valor

Nesse vídeo, o Professor Damodaran fala sobre a qualidade da empresa (negócio), da gestão e a decisão de comprar, manter ou vender um determinado ativo.

domingo, 12 de março de 2017

Distribuição de probabilidades e outliers [Materiais da aula]

Na aula passada começamos a revisão de estatística básica (materiais aqui) e nesta semana daremos continuidade à revisão, tratando de distribuições de probabilidade e detecção de outliers.

1 SLIDES



2 ARQUIVOS DOS DADOS USADOS NA AULA

Dados para a aula de normalidade
Plan 1

3 DO-FILE DOS PRINCIPAIS COMANDOS

Caso vocês tenham que instalar algum desses comandos, clique aqui e veja como instalar.

** Usando a primeira base de dados
histogram vm
generate lnvm=ln(vm)
ladder vm
gladder vm
qladder vm
sktest vm

** Usando a base nlsw88
sysuse nlsw88, clear
histogram wage, normal
graph box wage
qnorm wage
ladder wage
gladder wage
sktest wage 
** testa a normalidade univariada
** Use transformações para testar, a exemplo de:
g logwage=log(wage)
** Alternativamente: 
g lnwage=ln(wage)
** Padronizando a variável wage, pelo Z-Escore:
sum wage
** A média foi 7.766949 e o desvio-padrão foi 5.755523. Aplicamos isso na fórmula do Z-escore para padronizar a variável, fazendo com que ela fique com média zero e variância constante
** Crio a nova variável
g Zwage=(wage-7.766949)/5.755523
** Verificando:
sum Zwage

** Detectando outliers na primeira vase de dados:
sum rpegaverage cob_eps
extremes  rpegaverage cob_eps
scatter rpegaverage cob_eps

sexta-feira, 10 de março de 2017

Materiais das aulas de derivativos e administração do risco

Aqui estão os slides básicos que foram utilizados nas aulas ministradas pela mestranda Geisa Paulino.



Os estudos de caso estão na copiadora.

Abaixo estão os exercícios que deverão ser feitos pelos alunos, individualmente:

quinta-feira, 9 de março de 2017

Grupo no Facebook

Quem tiver interesse de acompanhar algumas coisas extra-blog, recomendo que entre no grupo Finanças Aplicadas Brasil (que é o nome do blog que eu usava para as disciplinas de finanças sob a minha responsabilidade).

Além dos materiais de aula (que eu também posto aqui no blog), eu posto vagas de emprego na área, e outros membros do grupo também podem postar algumas coisas que sejam de interesse comum (essa é a principal diferença com relação à fanpage do Blog).

Fiquem à vontade para participar e compartilhar conteúdo conosco.

Aguardo vocês por lá!

terça-feira, 7 de março de 2017

CVM e MPF versus Empiricus


Foi no incisivo marketing "americanizado" da sócia estrangeira Agora Inc. que a Empiricus moldou o seu negócio de análise independente no Brasil voltado para o investidor de varejo. Só que as mensagens mais espalhafatosas, com títulos em caixa alta como "LUCRE 41 POR CENTO EM APENAS 40 DIAS" ou "COMO TRANSFORMAR R$ 1.000 EM MAIS DE R$ 150.000 EM 32 DIAS" renderam processo na Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e na Apimec, a associação que autorregula a atividade de analista. Paralelamente, o Ministério Público Federal (MPF) abriu uma investigação criminal.

Notícia completa no Valor.

domingo, 5 de março de 2017

Nota de Falecimento: Stephen Ross

É com imenso pesar que compartilho com vocês a informação de que o Professor Ross faleceu, no dia 03/03/2017, aos 73 anos.

Ross é o autor do livro que mais utilizamos nas nossas aulas de Finanças, além de ter sido um dos maiores pesquisadores da área de precificação de ativos, com o APT.

A notícia completa poderá ser acessada aqui.

Materiais da aula de estatísticas descritivas

Aqui estão os materiais que serão utilizados na aula de estatísticas descritivas: slides e do-file.

1 SLIDES



2 DO-FILE
sysuse auto
describe
browse
** Esse comando é importante para que possamos verificar se está tudo OK com a planilha de dados
summarize
** Esse comando nos dá algumas estatísticas descritivas básicas
summarize, detail
** A inclusão do "detail" nos dá, como é esperado, mais detalhes sobre as estatísticas descritivas.
tabstat price mpg rep78 headroom trunk foreign, stats (mean sd skewness kurtosis n min max)
** O tabstat serve para facilitar nossa vida na hora de elaborar as tabelas para inserir no artigo.
tabstat price mpg rep78 headroom trunk foreign, stats (mean sd skewness kurtosis n min max)
tabulate rep78
tab rep78, sort missing
tab rep78, summarize(price)
** Esse comando nos permite economizar muito tempo. Por exemplo, se eu estiver escrevendo um artigo sobre qualidade da auditoria, eu posso verificar quais foram os tipos de opiniões dos auditores, por grupo de Big4 e não-Big4. Economizará nosso tempo.
tab rep78 foreign
** Também podemos utilizar isso com o mesmo sentido do comando anterior.
tab2 rep78 headroom foreign
twoway scatter trunk weight
** O scatterplot (dispersão) é importante para termos uma ideia sobre como as variáveis estão se relacionando.
twoway scatter trunk weight if foreign==0
** Gráfico apenas com carros nacionais
** Poderíamos utilizar isso, por exemplo, para excluir os "pareces limpos" e analisar apenas as opiniões modificadas em uma pesquisa sobre auditoria.
twoway scatter trunk weight, by(foreign)
** Separa os gráficos, para facilitar a nossa comparação. Poderíamos então rodar um gráfico para opinião modificada e outro para parecer limpo. 
twoway line trunk weight, by(foreign)
** Line é o gráfico de linhas. 
twoway line trunk weight, by(foreign) sort 
graph bar weight price, over(foreign)
** Gráfico de preço e peso, segregando em importados e nacionais
correlate price rep78 trunk weight

sexta-feira, 3 de março de 2017

[REVIEW] Superprevisores: a arte e a ciência de antecipar o futuro

Passado quase um ano da minha última review aqui no blog (A interpretação das demonstrações financeiras, por Benjamin Graham e Spencer Meredith), resolvi fazer uma nova sobre o Superprevisores. Eu adorei esse livro. De verdade!

A primeira vez que eu ouvi falar sobre isso foi quando cursei Avaliação de Empresas II, com o Professor César Tibúrcio, lá na UnB, no início de 2012. Na época, o Professor participava de alguns dos desafios do Good Judgement Open (dos autores do livro) e falou sobre o projeto. Fiquei interessado na mesma hora, mas no doutorado não nos sobra muito tempo para ler coisas divertidas... 

Ano passado, inclusive, cheguei a usar o livro para uma aula inteira, de previsão para avaliação de empresas. Para quem gostar do livro, recomendo também que assistam à série Sherlock (disponível no Netflix). Pretendo usar alguns trechos de episódios da série em minhas aulas. 

Vamos lá!


QUEM SÃO OS AUTORES


Philip Tetlock: Professor de Psicologia da Universidade da Pensilvânia (veja mais aqui e aqui).

Dan Gardner: Jornalista (veja mais aqui).


UMA VISÃO GERAL

Iniciando o livro com um aquecimento 
O livro é composto por 12 capítulos, mais 1 apêndice (que terá uma postagem exclusiva) de leitura muito agradável, nas suas (aproximadamente) 250 páginas.

Eu geralmente demoro um pouco para ler livros, porque tenho que ler várias outras coisas diferentes para as minhas disciplinas e pesquisas. Esse livro eu levei uns 2 a 3 meses para ler. Então, quem quiser otimizar a leitura, talvez possa "pular", ou ler mais rápido os primeiros 3 capítulos que falam, em geral, das pesquisas realizadas por Philip Tetlock e outros autores, como Daniel Kahneman, da área de finanças comportamentais.

Contudo, acredito que mesmo esses 3 primeiros capítulos valem a leitura. Foi no capítulo 1, especialmente, que eu lembrei de Tetlock, quando ele falou sobre "aquela do chimpanzé". Quem não conhece "aquela do chimpanzé"? Tem também "aquela do gato". A do gato você lê aqui, a do Chimpanzé você lê no livro.

No capítulo 2 os autores falam sobre o surgimento dos experimentos (as pesquisas de finanças comportamentais são baseadas em experimentos, na sua grande maioria). Os experimentos são muito questionados, principalmente, pelo pessoal mais old school de finanças. Eu, particularmente, não tenho preconceitos metodológicos e acho muito interessantes os experimentos bem realizados. 

Os autores até comentam que "não existe perfeição no nosso mundo caótico", mas isso é melhor do que "sabichões coçando o queixo". Essa parte, especialmente, me lembrou um Congresso USP de Contabilidade quando Vinícius Martins (coautor do blog) estava apresentando um artigo e uma pessoa da plateia (estilo "sabichão coçando o queixo") ficava repetindo: eu acho que tem alguma coisa errada aí. Mas nunca dizia o que estava errado... Congressos são divertidos por coisas como essas.

O livro me lembrou muito a medicina também. Eu gosto muito do ensino da medicina, usando PBL e metodologias ativas em boa parte do curso. Mas existe uma coisa que eu não gosto e que os autores também criticam: a ausência de dúvida e de rigor científico tornou a medicina pouco científica e a estagnou por muito tempo. Os cursos de medicina deveriam enfatizar mais metodologias científicas, testes de hipóteses, experimentos e coisas do tipo. Eles dizem que durante muito tempo os médicos faziam a mesma coisa que faziam há tempos, porque era aquilo que sempre fizeram e seu juízo de valor era a única coisa que importava. Eles denominaram isso de "complexo de Deus".

Eu tive um médico que tinha um certo complexo de Deus. Ele passou quase 7 meses me tratando para uma coisa que depois eu descobri que não era. Perdi 7 meses, um bom dinheiro com remédios e ele ainda não aceitou que estava errado. Dois outros médicos, sem complexo de Deus, fizeram alguns testes e indicaram um outro tratamento, totalmente diferente do primeiro. Isso também foi denominado de "perspectiva ponta-do-seu-nariz", porque o médico nunca duvidou das suas convicções. Nós que trabalhamos com projeções, valuation e coisas do tipo devemos sempre duvidar das nossas convicções.


Entrando nas profundezas do mundo superprevisor
Em geral, esses primeiros capítulos são assim mesmo. São mais uma introdução às previsões, aos superprevisores e as suas características.

Nos capítulos que seguem os autores entram nas especificidades: o que são os superprevisores? Eles são muito inteligentes? Eles são muito bons com números? Eles são muito viciados em notícias? etc.

O capítulo que eu mais gostei foi o 5º, que fala de fermização de problemas. Eu já usava a fermização há muitos anos e não sabia.

Uma vez, quando era estagiário de uma cooperativa de crédito, uma das contadoras estava fazendo aniversário. Eu, ingenuamente, perguntei a sua idade. Ela, obviamente (como boa parte das mulheres - não sei bem o porquê) não quis dizer. Minha atitude, espontaneamente e sem pensar muito foi: 1) acessar o seu currículo Lattes e 2) ver em que ano ela entrou na Faculdade.

Normalmente, as pessoas entram na Faculdade com 18, 19, ou 20 anos. Ela era uma moça inteligente, não tinha uma família pobre, então eu assumi que ela havia conseguido entrar na Faculdade na primeira tentativa, com 18 anos. A partir daí, foi só verificar quantos anos se passaram do ingresso na Faculdade, até aquele dia de aniversário e somar aos 18 anos iniciais. 

Acertei em cheio. Mas ela não pareceu gostar muito da minha descoberta. Ela aparentava ser mais nova, inclusive. Fiz a mesma coisa com uma colega de trabalho mais recentemente e ela também não pareceu gostar muito. Tem coisas que não conseguimos entender.

Sherlock Holmes usa a mesma técnica. Ele pega problemas grandes, aparentemente sem solução, e transforma em vários problemas menores, mas que podem ser mais facilmente resolvidos. As pessoas na série não gostam muito quando ele deduz, por exemplo, que dois colegas de trabalho, um dos dois era casado, aproveitaram a viagem da esposa para passar a noite juntos.

No livro, eles usam como exemplo algumas questões clássicas (enigmas de Fermi), como "Quantos afinadores de piano existem em Chicago?"

Ainda no capítulo 5, os autores mostram que os superprevisores são realmente pessoas inteligentes, mas nada de extraordinário (não chegam nem a ser "gênios") e que a inteligência ajuda nas previsões, mas só até certo ponto.

A questão da "visão de fora" e "visão de dentro" também é explorada no capítulo 5. Sherlock conta com a ajuda de Watson para a visão de fora. Isso é muito importante para a previsão (dedução, no caso deles).

Sobre ser quant ou não: os superprevisores são bons de contas. Mas isso também não é tudo. Eles pensam "probabilisticamente" e são menos voltados para acreditar em destino. Isso talvez seja mais decisivo do que ser bom com número. O capítulo 7 trata disso. É um capítulo mais monótono, mas também é importante.

O capítulo 8 traz evidências de que os superprevisores nunca estão prontos. Eles sempre estão melhorando as suas habilidades de previsão, por isso o título do capítulo é "Beta perpétuo". As versões beta de softwares são versões ainda inacabadas. Esses são os superprevisores.

No final do capítulo 8 (p. 185), os autores fazem um apanhado das características dos superprevisores:
A) Do ponto de vista filosófico:  cautelosos, humildes, não deterministas ("o que acontece não está destinado a acontecer e não tem de acontecer, necessariamente");
B) Sobre suas capacidades e estilo de pensar:  mente ativamente aberta ("crenças são hipóteses a serem testadas, não tesouros a serem protegidos"), têm necessidade de cognição ("intelectualmente curiosos, apreciam enigmas e desafios intelectuais"),  reflexivos e matematicamente dotados;
 C) Sobre os métodos de previsão: pragmáticos ("não se prendem a ideias ou interesses pessoais"), analíticos, olhos de libélula ("valorizam visões diversificadas e sintetizam numa visão própria"), probabilísticos ("emitem juízo usando muitos graus de talvez"), atualizadores ponderados ("quando os fatos mudam, eles mudam de opinião"), bons psicólogos intuitivos; e
D) Sobre a ética de trabalho: atitude mental de crescimento determinados.
Finalizando os comentários sobre o capítulo 8, é importante destacar que esses atributos têm importâncias diferentes, sendo o "beta perpétuo" o atributo mais importante. Os autores ainda dizem que "nem todo superprevisor dispõe de todos os atributos" e que a "superprevisão parece ser aproximadamente 75% transpiração e 25% inspiração" (p.187).

Veja um post específico sobre o beta perpétuo clicando aqui.


Melhorando as previsões e finalizando os trabalhos
Os últimos capítulos tratam de algumas coisas específicas que podem melhorar as previsões e alguns questionamentos relativos aos superprevisores.

O capítulo 9 trata da importância de se trabalhar em equipes para melhorar as previsões. Algumas estatísticas do capítulo, para que vocês tenham curiosidade de buscar os porquês: a) em 1 ano, as equipes eram 23% mais precisas do que os indivíduos; e b) quando um superprevisor era incluído em uma equipe de superprevisores, ele conseguia melhorar a acurácia de suas previsões em 50%.

Agora chegamos ao capítulo que eu não fiz nenhuma anotação: o dilema do líder (capítulo 10). Só sublinhei uma frase de George Soros, que está nos trechos em destaque. Para não dizer que não anotei nada, fiz a seguinte anotação: o pior capítulo do livro.

Depois disso tudo, podemos nos questionar: eles são mesmos tão super assim? Esse é o título do capítulo 11, que começa a dar um fechamento no livro, que podemos encontrar no capítulo 12 que até cita o caso daquela analista do Santander que nos alertou sobre os problemas que seriam trazidos pela reeleição de Dilma Rouseff (clique aqui, caso não conheça).


TRECHOS DE DESTAQUE

Eu fiz muitas anotações durante a leitura desse livro. Tentei selecionar algumas mais importantes para comentar aqui. Foi difícil demais, mas vamos lá.

O primeiro trecho que quero destacar é algo que vemos toda hora em artigos e em congressos, e em investimentos - o viés de confirmação. Todos nós estamos sujeitos a isso e eu, após a leitura do livro, estou tentando controlar mais esse problema (p.45):
(...) Raramente procuramos uma evidência que contradiga nossa explicação inicial, e quando essa evidência é esfregada em nossa cara, nos tornamos céticos motivados - encontrar motivos, por mais débeis que sejam, para menosprezá-la ou descartá-la inteiramente. (...)

Como pensar, é mais importante do que pensar! Eu lembrei muito quando eu trabalhava em uma empresa e, questionando algumas coisas dos gerentes (que sabiam que tinha algo estranho), um deles me falou: talvez você esteja fazendo a pergunta errada. Eu estava pensando muito sobre aquele caso, mas, talvez eu não estivesse pensando de forma correta. Na página 72 os autores falam sobre isso:

Então por que um grupo se saiu melhor do que o outro? Não foi porque os seus integrantes tinham doutorado ou acesso a informações confidenciais. Tampouco foi devido ao que pensavam (...) O fator crítico foi como pensavam.
Ainda sobre isso, na página 73 (essa frase é muito legal - eu já tinha visto algumas variações):

 (...) A raposa sabe muitas coisas, o porco-espinho sabe apenas uma, mas muito importante (...).
Usando o conceito de sabedoria das multidões, os autores falam sobre algo que nós de Finanças já conhecemos bem: a hipótese de que os mercados são eficientes e que é quase impossível bater o mercado constantemente, além de me lembrar daqueles analistas que todo ano dizem que uma bolha vai estourar... (p. 76):

(...) Agregar o parecer de muitos supera de forma persistente a precisão do participante médio do grupo (...) palpites na mosca normalmente dizem mais sobre o poder do acaso - chimpanzés que atiram um monte de dardos ocasionalmente vão acertar o alvo - do que sobre a habilidade do adivinhador. (...) Haverá indivíduos que superam o grupo a cada repetição, mas a tendência é que sejam indivíduos diferentes. Superar a média constantemente exige rara habilidade.
Ainda sobre a sabedoria das multidões, é importante que fiquemos de olho em outras opiniões. Eu, por exemplo, gosto de conversar com outras pessoas sobre as empresas nas quais eu pretendo investir, gosto de ler relatórios de analistas (com parcimônia), porém devemos fazer isso com cuidado (p.77):

(...) Agregar os pareceres de muitas pessoas que não sabem de nada produz um monte de nada. (...).
Alguns artigos sobre a sabedoria das multidões, para os mais interessados no tema: Prediction Markets and the Financial" Wisdom of Crowds" (RAY, 2006), The vicarious wisdom of crowds: Toward a behavioral perspective on investor reactions to acquisition announcements (SCHIJVEN; HITT, 2012) e Distilling the wisdom of crowds: Prediction markets versus prediction polls (ATANASOV et al, 2016).

 Já comentei na visão geral lá de cima sobre a visão de fora (taxa-base) e a visão de dentro. Na página 118 os autores dizem que os superprevisores se preocupam, inicialmente, com a visão de fora - mais geral. Para saber, por exemplo, qual seria a probabilidade dos Rezentti terem um bicho de estimação, um superprevisor descobriria primeiro "qual é a porcentagem de famílias americanas que têm um bicho de estimação". 

Após saber que "62% dos lares americanos têm bichos de estimação", os superprevisores (p.119) apelariam para a visão de dentro, com mais detalhes específicos sobre a família Renzetti:

É natural recorrer à visão de dentro. Ela em geral é concreta e cheia de detalhes envolventes que podemos usar para elaborar uma história sobre o que está acontecendo. A visão de fora é tipicamente abstrata, básica e não se presta tão facilmente à construção de uma narrativa. Assim, mesmo pessoas inteligentes e talentosas rotineiramente deixam de considerar a visão de fora (...).
Esse trecho aqui dispensa qualquer comentário adicional (p.127):
Para superprevisores, crenças são hipóteses a serem testadas, não tesouros a serem guardados. Seria fácil reduzir a supeprevisão a um adesivo de para-choque e se eu tivesse que fazer isso, esse seria o slogan.
O capítulo 7 ("Superviciados-em-notícias?") inicia com um "passo a passo" sobre como iniciar as previsões. Destaquei aqui até para servir de lembrete para mim, no futuro: 1) Decompor a questão em partes menores; 2) delineie o que você conhece e o que você não conhece, e não deixe de examinar nada; 3) use a visão de fora e coloque o problema numa perspectiva comparativa que minimize o seu caráter único; 4) trate o problema como um caso especial de um classe mais ampla de fenômenos; 5) use a visão de dentro, que enfatiza o caráter único do problema; 6) explore as similaridades e diferenças entre o seu ponto de vista e o de outrem; 7) sintetize todos os pontos de vista em apenas um; e 8) expresse o seu juízo da forma mais precisa que puder, usando uma escala de probabilidades de ajuste fino (p.151).

E não se esqueçam de atualizar as previsões quando existirem novos fatos relevantes!
Previsões não são como bilhetes de loteria que você compra e guarda até a hora do sorteio. São como juízos que estão baseados em informações disponíveis e que devem ser atualizados à luz da informação cambiante (...).
Uma dica que o livro traz, de um dos superprevisores (Devyn Duffy) é usar os alertas do Google. Eu uso isso com as empresas que eu invisto e com alguns temas de pesquisa. Eles são realmente muito úteis. Devyn (p.153) diz: quando os fatos mudam, eu mudo de opinião. Mudar de opinião não é feio!

Com relação às atualizações das previsões e a "proficiência com números" dos superprevisores (p.168):
(...) o que interessa, muito mais do que o Teorema de Bayes, é a percepção central de Bayes de gradualmente chegar mais perto da verdade fazendo constantes atualizações proporcionais ao peso da evidência (...) [Tim] Minto é um Bayseano que não usa o Teorema de Bayes. Essa descrição paradoxal se aplica à maioria dos superprevisores.

Essa frase, do capítulo "Beta perpétuo" dispensa comentários (p.172):
Para ser um previsor de primeira, uma atitude mental de crescimento é essencial. (...) 'Quando os fatos mudam, eu mudo de opinião'.

Essa aqui complementa a frase anterior (p.174):
Aprendemos novas habilidade fazendo. Melhoramos essa habilidade fazendo mais (...).

O Professor Damodaran sempre fala isso sobre como aprender a avaliar empresas. Só se aprende fazendo várias e várias, errando e confirmando as hipóteses com os novos números.

Eu realmente odiei o capítulo 10 (O dilema do líder). Não sei se eu estava com sono, no avião, ou algo do tipo. Porém eu realmente não gostei. Mas tem uma frase legal de George Soros que vale à pena compartilhar (até coloquei ela no primeiro slide da minha primeira aula do mestrado): nada como o perigo para fazer a mente se concentrar (p. 220).

No capítulo 12 (E agora?), os autores relembrar o caso da analista do Santander que nos alertou sobre os riscos da reeleição de Dilma. Sobre a demissão da analista (p.246):
(...) no Brasil não é bom para um banco estar em maus termos com potenciais futuros presidentes. Se a previsão da analista era precisa não fazia a menor diferença.
Nesse trecho (p.251), a seguir, eu lembrei muito do meu grande Professor Paulo Cavalcante (um dos melhores, se não for o melhor, Professor que eu conheço):
(...) 'Nem tudo o que conta pode ser contado', diz uma famosa máxima, 'e nem tudo o que pode ser contado, conta'. Nesta época de computadores e algoritmos, alguns cientistas sociais esqueceram disso. (...)
O Professor Paulo sempre nos alerta sobre isso. Às vezes acabamos focando demais em métodos quantitativos, em contabilidade, finanças e, especificamente, em valuation. Assim, na página seguinte (p. 252), os autores complementam o que foi dito acima:
(...) Os verdadeiramente proficientes com números sabem que eles são ferramentas, nada mais que isso (...)
Quem aqui já teve aquele amigo, colega de trabalho, colega de sala, parente etc muito, muito, muito superficial, com pouco ou nenhum conteúdo, mas que conseguia atenção porque fala alto e bonito? kkkkk. Eu conheço vários assim e nossos políticos são um bom exemplo.

Devemos ter muito cuidado com isso quando formos nos atualizar para as nossas previsões. E é basicamente assim que o livro acaba (p. 260):
(...) Infelizmente, em ruidosas arenas públicas, as vozes estridentes dominam os debates, e o interesse delas na colaboração adversarial é zero. (...) Suas vozes se fazem ouvir na maior parte do tempo porque falam mais alto e a mídia premia pessoas que gritam em megafones (...).
Cuidado com isso!


NÍVEL DE PROFUNDIDADE/ACESSIBILIDADE

O livro tem uma leitura muito fácil e agradável, apesar de alguns "excessos" de termos técnicos que são explicados em notas/referências, porém nada que atrapalhe muito - pelo menos não me atrapalhou. Como tem um autor mais "técnico" e o outro mais "jornalístico", o entendimento do conteúdo não é um problema e o livro não é chato. Pelo contrário, é muito legal!

Também não espere muita profundida, contudo as referências básicas são citadas para quem quiser se aprofundar em algum tópico.

Por exemplo, Kahneman é citado toda hora, mas os seus artigos podem ser lidos separadamente.


A QUEM É INDICADO?

Eu indico esse livro para todos os "tipos" de pessoas. Para o profissionais de finanças isso é leitura básica!

Para os cientistas políticos isso também é básico (tem um amigo meu, geógrafo, que gosta de fazer previsões sobre alguns eventos políticos que deve ler também).

Médicos? Com certeza! Tanto para evitarem o complexo de Deus, quanto para trabalhar em suas habilidades de fornecer diagnósticos. Aquele meu médico que eu citei deve ler isso - é uma pena que não chegará até ele. Na época em que eu me consultei com ele, eu estava lendo Desafio aos Deuses (talvez eu faça uma review no futuro) e até conversamos um pouco sobre o livro. Por azar meu, e de seus pacientes, só comecei a ler esse livro bem depois.


VALE À PENA?

Acho que já deixei claro que vale muito à pena. Vão em frente, nem é caro!
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