sábado, 23 de setembro de 2017

Quantidade de fusões e aquisições no Brasil (2002 a abril/2017)

2002
227
2003
230
2004
299
2005
363
2006
473
2007
699
2008
663
2009
454
2010
726
2011
817
2012
816
2013
796
2014
733
2015
842
2016
785
2017
266

Fontes: 
http://www.uff.br/pae/index.php/pca/article/viewFile/463/pdf
http://fusoesaquisicoes.blogspot.com.br/2017/01/fusoes-e-aquisicoes-785-transacoes.html
http://fusoesaquisicoes.blogspot.com.br/search/label/DESTAQUES%20M%C3%8AS

quarta-feira, 20 de setembro de 2017

[SLIDES] Crescimento da empresa e fluxo de caixa livre

Continuando as aulas sobre os fundamentos básicos da avaliação de empresas (valuation) pelo fluxo de caixa descontado, na próxima aula, encerraremos o ciclo básico de valuation, quando nós trataremos sobre o crescimento da empresa (página 47 a 53) e, finalmente, chegaremos ao fluxo de caixa livre da empresa (página 86 a 90).

Os materiais da aula (slides e dados das empresas que uso como exemplo) poderão ser acessados no post "Slides do curso de avaliação pelo fluxo de caixa descontado (valuation)".


segunda-feira, 18 de setembro de 2017

[VÍDEO] Política de Dividendos

Esse é mais um vídeo-resumo do assunto das aulas, elaborado pela monitora Michelly Vieira, sobre política de dividendos.


domingo, 17 de setembro de 2017

[SLIDES] Tributos sobre o lucro

Continuando as aulas sobre os fundamentos básicos da avaliação de empresas (valuation) pelo fluxo de caixa descontado, nas próximas aulas nós trataremos sobre tributos sobre os lucros (página 44 a 46), crescimento da empresa (página 47 a 53) e, finalmente, chegaremos ao fluxo de caixa livre da empresa (página 86 a 90).

Os materiais da aula (slides e dados das empresas que uso como exemplo) poderão ser acessados no post "Slides do curso de avaliação pelo fluxo de caixa descontado (valuation)".

sábado, 16 de setembro de 2017

Perfil da turma de 2017.1 e conceitos básicos de finanças

Todas as vezes em que pego uma nova turma de finanças, eu aplico um questionário básico e discuto sobre ele na primeira aula. 

Contudo, eu nunca havia tabulado as respostas e feito uma análise, mesmo que superficial.

Os meus alunos da turma tarde, por exemplo, têm em média 21 anos, sendo que o mais novo tem 18 e o mais velho tem 26.

Todos os alunos pareciam conhecer o conceito de capitalização composta e o poder corrosivo da inflação, contudo, quando o assunto é diversificação do risco e conhecimento sobre ações e fundos de investimentos, a resposta foi um pouco diferente da que se espera (33% dos respondentes afirmaram que investir em uma só ação, normalmente, é mais arriscado do que investir em um fundo de investimentos).

Como esse questionário foi aplicado no primeiro dia de aula, espero que agora, no meio do semestre, eles já tenham mudado de opinião.

sexta-feira, 15 de setembro de 2017

[REVIEW] Fome de Poder - filme sobre o Mc Donalds

Já faz algum tempo, talvez mais de 2 meses, que eu assisti ao filme "Fome de Poder" (ou "The Founder") e fiz minhas anotações, porém não tive a oportunidade de escrever essa review. Agora vai.

O filme conta um pouco da história do Mc Donalds como conhecemos hoje e, apesar de não ser um grande fan da comida (mas que a como de vez em quando), temos que reconhecer que o modelo de negócios deles foi revolucionário.

É possível que o post contenha alguns pequenos spoilers, então tenham cuidado ao ler - apesar de que eu também tive cuidado ao escrever.


QUEM SÃO OS AUTORES

John Lee Hancock: foi o diretor do filme. Maiores informações sobre ele poderão ser obtidas aqui.

Robert Siegel: foi quem escreveu o filme. Maiores informações aqui.


UMA VISÃO GERAL

PERSISTÊNCIA.

Essa é a mensagem (boa) principal do filme!

Tecnicamente falando, Fome de Poder é um filme para pessoas que gostam de empreendedorismo, pois traz diversos conceitos relacionados ao tema - lembrou-me muito quando cursei Teoria Geral da Administração (TGA) no primeiro semestre da faculdade.

Porém, o filme também trata de inovação e o poder que fazer coisas diferentes tem. Sair do status quo é uma das principais chaves para você se destacar em algo. O filme destaca isso muito bem.

Todavia, cuidado com a mensagem ruim que o filme traz. Uma pessoa de mente mais fraca pode ser atraída para o lado negro da força.

Ah, já ia esquecendo: nunca tente fazer nada sozinho. Sempre tenha uma boa equipe junto com você.


TRECHOS DE DESTAQUE

1) Quando Ray Kroc conhece a cozinha do Mc Donalds, ele diz que "parece algo que saiu da cabeça de Henry Ford". Realmente a forma como eles modelaram aquela cozinha é impressionante!

2) Os estudantes de contabilidade, administração e economia devem ter ficado satisfeitos no trecho em que Kroc fala que não está nem chegando ao ponto de equilíbrio. Agora eles sabem que isso não é só uma coisa para fazer prova de contabilidade gerencial e de custos!

3) "Boas coisas vêm aos que esperam"! Essa é a principal lição que todo investidor fundamentalista deve aprender. Não que Ray Kroc seja um investidor fundamentalista, mas o filme nos traz várias lições sobre isso. Essa é uma que vocês devem guardar, no lugar da parte ruim da história (mesmo a parte ruim nos traz a lição sobre confiar ou não nas pessoas).

4) A virada no jogo para o Mc Donalds como conhecemos hoje se deu a partir da ideia de Harry Sonneborn, sugerindo que o negócio da empresa, de fato, não era alimentos, mas sim compra e venda dos locais onde as franquias seriam instaladas.

Warren Buffett (cujo filme já foi objeto de review aqui no blog) sempre fala que só devemos investir no que conhecemos.

Sonneborn parecia conhecer bem mais o negócio do que o próprio Kroc e isso mudou tudo!

5) Cuidado com os advogados!

6) Muitos podem pensar, assim como eu pensei: se o cara foi tão sem "escrúpulos", porque ele simplesmente não roubou a ideia da cozinha e o modelo de negócio?

O filme explica essa questão, enfatizando o poder da marca.

Imaginem um restaurante chamado "Kroc's". Isso não me cheiraria bem (piada estilo Zorra Total - quem não entendeu clique aqui).

7) O filme inicia com um discurso sobre persistência e finaliza com a retomada deste discurso.

Confesso que é um discurso bem motivador, que destaca a importância da persistência, inclusive, em relação ao talento.

A persistência sempre ganha. Quem imaginaria que Michael Bisping um dia seria campeão do UFC?!

8) June Martino foi contadora do Mc Donalds e quando houve o IPO, ela foi a primeira mulher a participar de um jantar com os diretores da NYSE, desde a rainha Elizabeth.



NÍVEL DE PROFUNDIDADE/ACESSIBILIDADE

O filme, apesar de tocar em questões técnicas, como ponto de equilíbrio, contratos, disputas societárias, conhecimento do negócio, valuation etc., não aborda isso com muita profundidade, de modo que as pessoas com menos conhecimentos técnicos possam assistir e entender a ideia do filme sem maiores problemas.


VALE À PENA?

Em minha opinião, vale muito à pena.

A história é muito boa, traz várias ideias sobre como agir e não agir nos negócios, além de ter sido (na opinião de uma pessoa que não é especialista em cinema) muito bem produzido.

Assista ao trailer abaixo:


quarta-feira, 13 de setembro de 2017

6 sinais de que uma empresa é amigável para os seus acionistas

O Sure Dividend divulgou recentemente a lista dos 6 itens abaixo.

Recomendo a leitura por todos os investidores de longo prazo.

Podemos concordar mais com uns do que com outros itens, mas a leitura e o pensamento sobre isso é muito válida.


  1. Razoável nível de remuneração de executivos
  2. Os insiders (pessoas que trabalham na empresa) mantém as ações da empresa em suas carteiras (no dia 10 de cada mês eu verifico se os insiders das minhas empresas compraram ou venderam ações - veja aqui o caso da JBS e como você pode fazer esse acompanhamento)
  3. Clara comunicação com os acionistas (eu olho isso sempre antes de investir numa empresa, se o RI for ruim... esquece)
  4. Uso aceitável de medidas non-GAAP
  5. Recompra de ações, pois o lucro é dividido por menos ações
  6. Pagamento de dividendos

terça-feira, 12 de setembro de 2017

Vale à pena investir em ações? Comparativo com o CDI de 1998 a 2015

Recentemente uma consultoria de dados financeiros postou um gráfico comparando o dividend yield (DY)* do Brasil com os EUA, evidenciando que o DY no Brasil tem sido muito baixo.

Analisando o gráfico, percebemos que o investimento esperando receber dividendos nem sequer ganhava da renda fixa (CDI) nos períodos apresentados.

Eu sou um entusiasta de investimentos em ações, então fiquei "encucado" com isso, principalmente porque no projeto em que eu trabalho na UFPB nossa melhor carteira desde o ano passado é a carteira de dividendos  (o projeto é coordenado pelo Professor Sinézio Maia, do Departamento de Economia) (eu sou vice-coordenador do projeto e coordeno a área de valuation). 

Obs.: a carteira foi criada ano passado.

O projeto que eu citei se chama Sala de Ações e está completando 10 anos este ano. Dêem uma conferida no blog do projeto, tem muito material bom!

Antes de tudo: eu sou Professor de avaliação de empresas no Departamento de Finanças e Contabilidade da UFPB. Não sou analista e isso não caracteriza uma recomendação de investimentos.

SOBRE O GRÁFICO DA CONSULTORIA

Antes de entrar na minha análise, eu quero fazer alguns comentários sobre esse gráfico que me motivou a escrever esse post:

1) O estudo citado analisa a série histórica de DY de 1995 a 2017, destacando que o Brasil foi melhor que os EUA entre 1995 e 2015;

2) Eles só consideraram o DY na comparação e, consequentemente, quando comparamos o gráfico com o do CDI, só estaremos comparando o DY, que é a rentabilidade dos dividendos. Contudo, é importante salientar que existem outras duas formas básicas de se ganhar dinheiro com ações de longo prazo:

2.1) Valorização da ação, que gera o ganho de capital; e
2.2) Aluguel de ações. Já que você está investindo pensando no longo prazo e não quer ficar negociando, pode-se colocar as ações para alugar e você ganhar uma taxa de aluguel. Esse é um caso bem extremo, mas eu já cheguei a receber uma taxa de mais de 24% a.a. com aluguel das minhas lindas $MGLU3 (veja aqui), que são as ações da Magazine Luiza.

A desconsideração da valorização das ações e do aluguel poderá não fazer muita diferença para boa parte, senão a maioria, das ações da nossa bolsa, porém, para boas empresas, fará muita diferença.

É isso que pretendo evidenciar na análise que apresentarei logo mais nesse post.

3) Eles consideraram o preço base para o cálculo do DY o final do ano anterior ao pagamento dos dividendos.

O investidor de dividendos compra a ação e segura para obter renda passiva e valorização do capital, como já mencionado.

Se eu comprei uma ação 10 anos atrás, minha base é o investimento que fiz 10 anos atrás, mais os novos aportes que eu faço periodicamente, inclusive para reinvestir os dividendos e aumentar o poder de juros compostos (#ILoveJurosCompostos)... não o preço do ano anterior ao do pagamento do dividendo.

Por isso eles chegaram a um resultado tão alarmante para todos nós que investimentos pensando no longo prazo!

Esse procedimento, dessa forma, exclui os altos DY's e ganhos de capital do investidor de longo prazo.

Lembrando que o investidor de dividendos é, essencialmente, um investidor de longo prazo e não de curto prazo, e a análise apresentada no gráfico é focada apenas no curto prazo.

Feita esta introdução, vamos ao ponto!

ANÁLISE DA RENTABILIDADE DE UMA CARTEIRA DE BOAS PAGADORAS DE DIVIDENDOS


Inicialmente, quero agradecer a Diego Cavalcante e Marcelo Barbosa Junior, que coletaram os dados para que eu pudesse fazer isso. Eles, junto com Felipe Souza, fazem parte da Equipe de Valuation e Dividendos da Sala de Ações.

Os dois primeiros são os responsáveis pela carteira de dividendos de 2017 da Sala de Ações e estão preparando um relatório desse sobre a carteira deles - que é muito melhor do que a "minha" que eu usei aqui nesse post - para divulgar no âmbito da Sala de Ações.

PRESSUPOSTOS DA ANÁLISE

Aqui estão os pressupostos que eu usei para a formação da carteira:
1) Carteira formada pelas 10 melhores ações, conforme critérios estabelecidos previamente por mim;
2) Todos os ativos tiveram o mesmo peso na carteira;
3) Carteira rebalanceada no dia 1º de abril de cada ano;
4) Foram coletadas informações sobre todas as empresas listadas na bolsa em cada ano, com dados da Economatica;
5) Foram excluídas as empresas com DY = 0;
6) Foram excluídas as empresas com ROE < 0;
7)  Não considerei o DY no cálculo do retorno! Só considerei ele para tomar a decisão de incluir ou não a ação na carteira. Os preços estão ajustados para os proventos; e
8) Não informarei as variáveis que utilizo para escolher as ações, pois isso é gosto pessoal e eu não vou dar isso de mãos beijadas para vocês - mas recomendo que cada um estabeleça seu critério racional, com muito estudo e siga a estratégia.

Mas, pelo que eu disse acima, vocês já devem saber (ou ter uma ideia) de que eu usei o DY como critério (histórico e não projetado, mas se eu fosse fazer para minha carteira de verdade, faria projetado - porém fazer isso para todo mundo da bolsa era inviável para mim) e usei também o ROE.

Além disso, usei mais dois indicadores puramente contábeis, que afetam o pagamento de dividendos e desempenho da empresa, e um múltiplo de mercado para tentar "rastrear" a ação "cara" demais para entrar na carteira. 

O que eu gosto de usar mesmo valuation pelo fluxo de caixa descontado, mas era impossível eu fazer uma avaliação dessa para todas as ações da bolsa.

Todavia, quem quiser aprender mais, poderá fazer algum dos cursos da Sala de Ações ou cursar Finanças I (teoria clássica), Finanças II (valuation) e Finanças III (tópicos avançados) comigo na UFPB - ou ficar de olho aqui no blog, pois eu divulgo todos os meus materiais de aula.


RESULTADO DA FORMAÇÃO DAS CARTEIRAS

Apresento abaixo os retornos das carteiras formadas pelas 5 e pelas 10 melhores ações de cada ano. Eu, particularmente, utilizaria a de 10 ativos desde o início, por diversificação, mas optei colocar a de 5 ativos também para comparabilidade e para que possamos verificar um pouco do efeito da diversificação das carteiras.

Inseri também, Tabela 1 abaixo, os retornos das carteiras formadas pelas 5 piores e as 5 melhores ações que passaram pelo filtro inicial. Percebam que mesmo elas sendo as piores ações, segundo os meus critérios, das que passaram pelo filtro do ROE e DY, mesmo assim elas deram um bom retorno no período compreendido entre 1999 e 2015.

Adicionalmente, inseri também o retorno mediano das empresas da amostra (todas as empresas da bolsa, excluindo-se aquelas que não passaram no filtro inicial), o retorno do Ibovespa (índice mais famoso da nossa bolsa) e o retorno anual do CDI, nosso benchmark da renda fixa que geralmente é a alternativa para quem quer renda passiva.

Um disclosure adicional: comecei em 1999 porque de 1995 a 1998 eu precisava ter pelo menos 21 ações que passassem pelo filtro, para fazer o meu experimento (comparar as melhores carteiras com as piores carteiras de pagadoras de dividendos).

Tabela 1 - Retorno anual, média, mediana, desvio-padrão e retorno/risco

Então, meus amigos, mesmo com altos e baixos, minha carteira diversificada de ações com boas perspectivas de pagar dividendos bateu em muito o CDI e o Ibovespa, tanto na média quando na mediana.

Contudo, esse é um investimento que tem mais volatilidade do que uma renda fixa. Mas se você é um investidor fundamentalista de longo prazo, não há muito o que temer. Escolha empresas boas, espere o tempo passar e deixe os juros compostos agirem.

Abaixo, na figura 1, podemos ver o comportamento dos retornos ao longo dos anos

Os últimos anos da série não foram nada fáceis para a bolsa, porém um investidor fundamentalista que percebeu essa queda como uma oportunidade, provavelmente está rindo à toa hoje (vejam as queridinhas $MGLU3, $RADL3 e $CARD3, por exemplo).

Figura 1 - Comportamento dos retornos ao longo dos anos da série histórica

P.s.: o IBRX-100 deu um retorno composto, nesse mesmo período, de 14% ao ano.


EVOLUÇÃO PATRIMONIAL: UMA SIMULAÇÃO COM UMA ÚNICA APLICAÇÃO DE R$ 1.000,00

Para ficar mais claro, vamos fazer uma simulação com apenas uma aplicação de R$ 1.000,00 no início da série (final de R$ 1998).

Não considerei o reinvestimento, nem mesmo os recebimentos de dividendos. 

Considerei apenas o ganho de capital, com preços ajustados aos proventos.

Se considerássemos os dividendos e o seu reinvestimento, o efeito seria muito mais forte, na evolução patrimonial - juros compostos!!

Com base na figura 2, podemos ver que quem aplicou R$ 1.000,00 na carteira com as 10 melhores ações de dividendos daquele ano e rebalanceou anualmente, verificando as 10 melhores empresas de cada ano, transformou aqueles R$ 1.000 investidos no final de 1998 em R$ 109.117,85, em 2015

Isso nos dá um retorno anual composto de algo em torno de 31% ao ano!

No CDI, que nos gera um patrimônio de menos de R$ 10.000,00, o retorno anual seria de 14,50%.

Se olharmos para o Ibovespa, veremos que ele perdeu para o CDI, porém temos que entender que o Ibovespa tem de tudo.

Não se investe (até se investe, mas isso é outra história) no Ibovespa, porque tem muita coisa ruim lá.

Você investe separadamente em empresas boas, pensando no longo prazo e isso te trará bons resultados nos investimentos, conforme demonstramos abaixo.

Figura 2 - Evolução patrimonial

Teste de sensibilidade incluindo 1995, 1996, 1997 e 1998

Incluindo agora os anos que eu havia desconsiderado inicialmente, os resultados se mantém semelhantes, conforme a figura 3 abaixo.

Figura 3 - Teste de sensibilidade


FECHAMENTO

Gostaria que as pessoas que lerem esse post, se gostarem, compartilhem com seus amigos para que eles vejam que vale à pena investir em ações e parem de deixar de ganhar dinheiro por medo. 

Recomendo sempre que procurem um assessor de investimento para te ajudar a escolher bons ativos e fale com ele sobre investir em ações, aos poucos.

É só querer!

Aos que não gostaram, eu gostaria de receber as críticas para poder melhorar esse trabalho. Críticas construtivas são muito bem vindas!




* DY é a rentabilidade do dividendo, obtido por meio da razão entre o dividendo recebido por ação, normalmente em um período de 12 meses, e o preço que se pagou pela ação.

segunda-feira, 11 de setembro de 2017

Aplicando a técnica de estimação de Fermi para resolver problemas de negócios

No dia 04/09/2017 postei os slides de uma apresentação dos meus alunos do mestrado sobre "como resolver problemas insolúveis". 

Hoje publico aqui um texto feito pelos mesmos alunos explicando algumas coisas da apresentação que eles fizeram.

Segue o texto abaixo, escrito por Souza Neto, José Ricardo Revorêdo e Talitha Tuane de Andrade:

Tentando expandir o aprendizado dos alunos, o Prof. Felipe  nos deu a responsabilidade de demostrar através do artigo APPLYING THE FERMI ESTIMATION TECHNIQUE TO BUSINESS PROBLEMS” - Anderson, P. M., & Sherman, C. A. (2010) a aplicação da técnica de Fermi para previsão. Assim, construímos uma linha de raciocínio de acordo com o que foi apresentado na pesquisa.

            Todos nós fazemos previsões quando pensamos em mudar de trabalho, casar, comprar uma casa, fazer um investimento etc. Nossas decisões são tomadas no modo como esperamos que o futuro se desenrole. Na maior parte das vezes, nós decidimos por conta própria, mas, para alguns assuntos, recorremos à previsão de especialistas quando queremos saber sobre as perspectivas da economia, da política ou até mesmo do esporte.

            Uma previsão é, então, além da antecipação de algo que ainda não aconteceu, o cálculo de tudo que é necessário para a execução de um determinado projeto, ou seja, é também uma estimativa. E quando se faz uma previsão não existe um valor único e exato: as previsões são cheias de incertezas. Uma previsão fornece então, uma estimativa de um certo valor.

E quando se trata de negócios, muitas vezes é preciso fazer suposições rápidas, pois nem sempre temos todos os recursos à disposição. 

Além da escassez de ferramentas e informações, existe também a questão da viabilidade. Às vezes não vale a pena gastar muito tempo e dinheiro em algumas avaliações. Então, uma simples estimativa afasta gastos imprudentes. Esse tipo de cálculo desconsidera os detalhes e foca apenas nos principais fatores, buscando definir se é interessante ou não avançar para o próximo nível de desenvolvimento do projeto.

Ao procurar um processo de avaliação rápida, as comunidades científica e corporativa adotaram como alternativa: a estimativa de Fermi.

O QUE É A ESTIMATIVA/TÉCNICA DE FERMI?

A técnica de Fermi (Fermização/Fermization) trata da solução de um problema com as informações disponíveis, fazendo inferências sobre as possíveis respostas dentro de determinados limites de estimativa. 

Esse método tem como característica a utilização de pressupostos simplificados e pertinentes ao problema, em vez de pesquisar informações relacionadas.  A estimativa exige várias etapas de avaliação, iniciando pela identificação dos fatores que são necessários para alcançar a resposta esperada e estimá-la. Em seguida, a resposta desejada pode muitas vezes ser mensurada com uma incrível exatidão.

A ORIGEM DA TÉCNICA

A estimativa Fermi originou-se do físico italiano do século XX, Enrico Fermi. Ele se destacou pelo seu trabalho sobre o desenvolvimento do primeiro reator nuclear e pelas suas contribuições à teoria quântica, física nuclear, de partículas e mecânica, e estatística, chegando a ser contemplado com o Prêmio Nobel da Física em 1938

Fermi foi professor da Universidade de Columbia e depois da Universidade de Chicago, além de ter participado do projeto Manhattan, que desenvolveu a bomba atômica. 

COMO FUNCIONA?

Fermi ficou conhecido por ser capaz de fazer uma estimativa numérica utilizando apenas poucas informações para chegar a uma resposta válida. 

Ele conseguiu estimar de maneira muito precisa a força da bomba atômica que foi detonada em um teste apenas pela observação e por um breve cálculo mental.

            Nesse sentido, e lembrando que para fazer uma estimativa através da abordagem de Fermi é necessário inicialmente estar por dentro dos passos (slide 6), vamos ao primeiro exemplo. 

Exemplo 1

O primeiro passo é decompor a pergunta inicial em fatores de modo a ampliar suas estimativas. Nesse sentido, quando nos perguntamos “quantos quilômetros um jogador de futebol percorre durante um jogo?”, devemos pensar nos fatores envolvidos, que neste caso, tratam-te da velocidade média que um ser humano percorre (fator 1) e o tempo que um jogador joga em uma partida de futebol (fator 2).

            Sabemos como encontrar os dois fatores de maneira facilitada? Não!

Devemos decompor novamente, até que não haja mais estimativas difíceis de serem feitas. 

Para isso, podemos usar nossa visão de fora para estimar a velocidade média do ser humano, tendo em vista que sabemos que Usain Bolt é considerado o homem mais rápido do mundo, e deduzindo que ele correu aproximadamente 100m em 10s na última olimpíada (Rio de Janeiro), chegamos a uma velocidade média de 10m por segundo (10m/10s). 

Podemos ainda afunilar esta estimativa, tendo em vista que o ser humano normal não corre 10m/s, então, estimamos que um ser humano corra 4m/s, logo, usamos uma média de confiança, e estimamos 7m/s ([10m/s+4m/s]/2). Desta maneira, como não temos ideia de quanto um ser humano anda, chutamos 0,5m/s.

Exemplo 2

Agora devemos fazer o mesmo procedimento para o fator referente ao tempo que um jogador joga em uma partida. Nesse sentido, sabemos que uma partida de futebol dura 90min sem contar os acréscimos. Com as visões de fora vamos para a visão de dentro e estimar os fatores. 

Assim, sabendo que uma partida de futebol dura 90min, temos que estar cientes de que um jogador não fica 100% do tempo correndo, logo, há uma divisão em tempo correndo, andando e parado. A partir de agora vamos estimar com base na nossa visão de dentro e fazer estimativas, mesmo que no chute (racional). Digamos que um jogador passe 40% do jogo correndo, 30% andando e o restante é parado, afinal de contas o jogo tem interrupções, como faltas, troca de jogadores etc.

Podemos agora sintetizar de maneira a achar a resposta final do problema. 

Conhecemos a velocidade média e o tempo que o jogador corre e anda, devemos agora fazer as multiplicações dos fatores para encontrar nossa questão principal. Sendo assim, transformando esses fatores para mesma base (metro/segundo) e fazendo as multiplicações necessárias, chegamos a um resultado final de 15.000m em 5.400s, isto é, 15,9km em 90min. 

Utilizando as premissas de Fermi, nosso resultado esteve dentro da grandeza de estimativa, visto que segundo o site Terra, um jogador pode correr até 15km em uma partida de futebol, confirmando a relevância da metodologia para responder questões que, a priori, parecem impossíveis. 

É PRECISO SABER MUITA COISA?

(...) A raposa sabe muitas coisas, o porco-espinho sabe apenas uma, mas muito importante (...). Frase do livro Superprevisões: a arte e a ciência de antecipar o futuro - Philip Tetlock e Dan Gardner. 

Essa citação resume muito o que estamos a tratar nesse artigo, para se fazer uma boa previsão não é necessário saber de tudo, porém o necessário.

No exemplo, o autor do artigo faz o seguinte questionamento: Quantos cachorros-quentes são consumidos nos jogos de beisebol Major League Baseball (MLB) por temporada? 

O primeiro passo é pelo menos determinar dois fatores que vão determinar a quantidade de cachorros-quentes consumidos na temporada de jogos de beisebol da MLB. 

Assim, podemos ter como fatores decisivos o atendimento de fãs na liga e a quantidade de cachorros-quentes consumidas por pessoa (Slide 11).

Como segundo passo devemos entender que se durante o processo, qualquer fator é conhecido ou pode ser facilmente determinado, esse valor deve ser usado (não permitimos isso durante uma atribuição de classe). Aqui, assumiremos que sabemos pouco ou nada sobre o beisebol das principais ligas e todos os fatores devem ser estimados e não pesquisados. Com isso, deve-se observar se entre esses dois fatores já identificados existe algum que pode ser facilmente estimado e outro que não pode.

Embora consumo de cachorros-quentes possa ser razoavelmente estimado, o atendimento anual da liga não pode, sem informações adicionais. O comparecimento anual de fãs na liga pode ser mais detalhado nos fatores de atendimento médio por jogo e jogos por temporada (Slide 12).

No terceiro passo precisamos repetir o processo acima para determinar se algum fator ainda precisa ser dividido em fatores adicionais. Neste caso, o atendimento médio por jogo pode ser razoavelmente estimado, mas os jogos por temporada não podem, sem informações adicionais. 

Este último termo poderia ser estimado se conhecêssemos jogos por temporada por ano e número de equipes (Slide 13). Estes dois últimos termos podem ser estimados razoavelmente sem mais informações.

Indo para o quarto passo, podemos entender que o número de cachorros-quentes consumidos nos jogos em uma temporada da MLB é, portanto, um produto das seguintes quantidades que devem ser estimadas: (cachorros-quentes consumidos por pessoa); (atendimentos de fãs médio por jogo); (jogos por temporada por ano); e (número de equipes), como mostrado o Slide 14.

No quinto passo, calculamos cada fator por sua vez e começamos com cachorros-quentes consumidos por pessoa. 

Podemos inicialmente estimar que a pessoa média comeria menos de um cachorro-quente por jogo. Mas um cachorro-quente por pessoa ainda parece um pouco alto, então usaremos um cachorro-quente para cada 3 pessoas, ou 1/3 como nosso limite superior de cachorros-quentes por pessoa. Agora, selecionamos um limite inferior, que é uma ordem de magnitude inferior ao nosso limite superior, ou 1/30. Usaremos a média desses dois números para calcular nossa estimativa de fatores de: 0,18, ou cerca de um cachorro-quente por cada sete pessoas.

Nosso próximo fator é o atendimento médio por jogo. Nós certamente sabemos que o comparecimento médio por jogo é maior que 100 e menos de 1 milhão, mas podemos ser mais precisos. Certamente, maior que 10.000 e menos de 100.000 parece excessivo, mas um verdadeiro estimador neófito de baseball pode realmente ser mais confortável com esse intervalo. Vamos tentar um alcance um pouco mais apertado onde o limite superior é de 70.000 e o limite inferior é 7.000. A média desses dois números é de 38.500, o que parece razoável.

Olhando para jogos jogados por ano, se assumirmos que a temporada de baseball é longa e os jogos são jogados com frequência, podemos escolher 300 jogos por ano como limite superior, o que nos dá 30 como limite inferior. A média desses dois números produz 165 como nossa estimativa para o número de jogos jogados por equipe por ano.

Por último, ao estimar o número de equipes, provavelmente há menos de 100 e mais de 10 equipes, mas, novamente, provavelmente podemos assumir que há menos de 70 equipes. Isso define nosso limite inferior como 7, obtendo 38 como nossa estimativa do número de equipes, mas para o nosso cálculo, usaremos 38.

Consequentemente, temos 43 milhões de cachorros-quentes / ano consumidos pelos fãs nos jogos MLB. No entanto, nós realmente contamos duas vezes, pois qualquer jogo tem duas equipes jogando de cada vez; então nossa estimativa é de 22 milhões de cachorros-quentes por ano. 

Mesmo considerando que outro estimador pode usar estimativas diferentes para cada fator, os resultados serão semelhantes devido a variações em estimativas individuais que tendem a cancelar um outro.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Encontrar uma reposta exata para determinados problemas é considerado muitas vezes impossível. 

Sendo assim, o uso de estimativas são mais rápidas e fáceis de se obter, de modo a encontrar as melhores alternativas disponíveis. 

Na avaliação de empresas funciona do mesmo jeito. 

O objetivo é fazer uma previsão ou estimação do seu valor, mas a determinação do valor de uma empresa é uma tarefa árdua e subjetiva: não existe um único valor.


Estimar não é chutar (no sentido literal) ou fazer aproximações grosseiras, por isso, é preciso que cada vez mais se compreenda que fazer estimativas é tão importante quanto achar um número exato, apesar da estimação envolver incertezas. 

Dessa forma, não há estimativa “correta” ou “errada”. 

Além disso, ela pode variar bastante dependendo do tipo de informação que se leva em consideração em cada problema. 

A estimativa de Fermi nos ajuda, então, a tornar a resolução desses problemas como parte de um projeto para alcançar a estimativa ou previsão mais próxima da realidade possível.  

domingo, 10 de setembro de 2017

[SLIDES] Reinvestimento dos lucros

Estamos nos aproximando do final das aulas sobre os fundamentos básicos da avaliação de empresas (valuation) pelo fluxo de caixa descontado.

Nas próximas aulas nós trataremos sobre reinvestimento dos lucros (página 25 a 43), tributos sobre os lucros (página 44 a 46), crescimento da empresa (página 47 a 53) e, finalmente, chegaremos ao fluxo de caixa livre da empresa (página 86 a 90).

Os materiais da aula (slides e dados das empresas que uso como exemplo) poderão ser acessados no post "Slides do curso de avaliação pelo fluxo de caixa descontado (valuation)".

quarta-feira, 6 de setembro de 2017

Deadline do Congresso Europeu de Contabilidade

As submissões poderão ser realizadas até o dia 1 de dezembro de 2017.

EAA Annual Congress 2018
- First Announcement & Call for Papers -

Dear Colleagues,
The European Accounting Association will hold its 41st Annual Congress in Milan, Italy, from 30 May to 1 June 2018.
You are kindly invited to submit papers to be considered for presentation at the EAA 2018 congress (http://www.eaacongress.org/r/submission). As you may remember, if you want to submit a paper, you have to be an EAA member in the year of the congress for which you submit. Hence if you are not yet an EAA member for 2018, the system will invite you to subscribe before allowing you to submit.
Please note that only full papers can be submitted. All submitted papers will be double-blind peer-reviewed. May I kindly request that you carefully read the information that you will find on the web page under the item “Submission Rules” (http://www.eaacongress.org/r/submission_rules), which will be very useful in submitting a paper and getting the most out of the conference.
The paper submission deadline is December 1, 2017.
For all further information on the conference, please visit the EAA 2018 website athttp://www.eaacongress.org/r/home.
As in previous years, there will be a two and a half day colloquium for doctoral students from 26-29 May 2018 that will take place in Varese. More information on this webpage (http://www.eaacongress.org/r/doct_coll_2018).
We look forward to welcoming you to Milan in May 2018 for the 41st Annual Congress of the European Accounting Association.
With kind regards,
 
Miles Gietzmann                Ariela Caglio
Congress Chair                  Deputy Congress Chair

segunda-feira, 4 de setembro de 2017

sábado, 2 de setembro de 2017

Nova edição da RECFin

Na última quarta-feira nós publicamos o mais recente número da Revista Evidenciação Contábil & Finanças.

Obrigado a todos os autores pela confiança e a todos os nossos 64 revisores pelo compromisso com a Revista.

parabéns aos nossos editores adjuntos, Adriana Vasconcelos e Dimas Queiroz, por todo o trabalho.

Graças ao compromisso de todos, tivemos uma média de 2 meses para dar retorno aos autores com a primeira rodada de avaliações, 4 meses para dar o parecer final sobre a aprovação do trabalho e 5 meses para publicar o artigo online (ahead of print ou a versão final já na edição da Revista).

Todos esses prazos são contados a partir da data da submissão e todos os prazos estão detalhados na NOMINATA DOS AVALIADORES.

A RECFin está atualmente classificada como B3 no Qualis CAPES da nossa área.

A primeira edição de 2018 sairá no final de dezembro deste ano!

sexta-feira, 1 de setembro de 2017

Tributação de dividendos: texto da Capital Aberto

Volta e meia esse tema volta à discussão. Ano passado eu até comecei a escrever um post aqui no Blog, mas ele estava ficando muito longo e eu não havia chegado nem à metade do que eu queria dizer, então parei de escrever para voltar depois e ainda não tive a oportunidade.

Contudo, recomendo a leitura deste link lá da Revista Capital Aberto, para os interessados no tema.

quarta-feira, 30 de agosto de 2017

Nirvana e o Contador: as bandas também precisam de um bom consultor

Para mim, Nirvana e Chico Science & Nação Zumbi são as duas melhores bandas de todos os tempos. Essas duas bandas me influenciaram muito por minha infância e adolescência e eu agradeço muito ao meu primo Nilo por ter me apresentado ao Nirvana.

Na última sexta-feira, no final da tarde, eu estava fechando a próxima edição da RECFin, revista científica que eu sou editor, ouvindo algumas músicas no YouTube.

De repente, a música do Nirvana, parou e começou um discurso. Eu comecei a reconhecer aquele discurso e, quando fui ver o vídeo, confirmei que era da introdução do Nirvana ao Hall da Fama do Rock.

Não tive outra opção, senão parar o meu trabalho e reassistir à cerimônia.

Mas onde entra o contador nessa história?

Acompanhem o discurso de Dave Grohl, a partir dos 11'12", em que ele fala da importância do empresário e do contador no futuro da banda:


P.s.: estou agora fazendo a minha parte, o mesmo que meu primo fez comigo:
Foto de uns 2 anos atrás, com meu sobrinho

sexta-feira, 25 de agosto de 2017

A rejeição de um artigo é o fim da linha?

Muitas pessoas em início de carreira ficam muito decepcionadas quando seus artigos são rejeitados. Eu já fiquei e você provavelmente ficará quando receber a primeira rejeição.

Este post está dividido em duas partes: 1) A rejeição que marcou minha vida e 2) Casos famosos de artigos rejeitados.



1) A REJEIÇÃO QUE MARCOU MINHA VIDA
No meu caso, o que me marcou muito foi a rejeição do artigo da monografia do meu orientando Marcelo Paulo. O artigo era bem simples, mas com uma ideia legal e nova naquele momento. 

Enviamos ao Congresso USP de Contabilidade, para a área de finanças, porém o artigo foi rejeitado na etapa de análise do "Resumo Expandido", por não apresentar nenhuma contribuição para a área (lembro dessas palavras até hoje!). 

Eu fiz textão no Facebook e tudo para comentar sobre isso, foi quando Josué Braga me mandou um artigo que tinha acabado de ser publicado no ahead of print da The Accounting Review, que tratava mais ou menos da mesma ideia que o nosso trabalho - guardadas as devidas proporções.

Após isso, enviamos para o SEMEAD, ganhamos o prêmio de melhor artigo da área e, por força do destino, ganhamos fast track na Revista de Contabilidade & Finanças da USP... e acabamos tendo o artigo publicado na melhor revista do Brasil na nossa área, mesmo sendo rejeitados no congresso da mesma instituição da revista.

Eu fiquei chateado inicialmente, mas rejeitar ou não um artigo, muitas vezes é questão de ponto de vista do revisor e temos que absorver o lado bom e continuar o trabalho. Felizmente conseguimos convencer alguém sobre o artigo. O tema parece não ter ficado muito na moda no Brasil, mas ainda acredito que seja uma área importante para pesquisa.

Aqui está o link do artigo "Assimetria informacional e o preço das ações: análise da utilização das redes sociais no mercado de capitais brasileiro e norte-americano".

P.s.: conversei com o editor da revista, Fabio Frezatti, algumas vezes para entender como ele pensa. Para mim, ele é um dos melhores, senão o melhor editor do Brasil. E eu, como editor, tenho que ver como os bons pensam, para tentar ser tão bom quanto. Pelo que consegui captar, ele tenta encontrar artigos que tenham chances de trazer algo novo.

Apesar de o meu artigo não ter uma metodologia da NASA ou algo do tipo, a ideia era legal, apesar de simples e ele resolveu dar uma chance. Precisamos de mais editores assim!

2) CASOS FAMOSOS DE ARTIGOS REJEITADOS
O Professor Pedro Raffy compartilhou em um grupo que participo de finanças um link sobre 8 artigos científicos que foram rejeitados antes de gerar um Nobel para os seus autores.

Na discussão no grupo, surgiram outras histórias.

Eu comentei sobre o caso de Harry Markowitz, que teve a sua tese inicialmente rejeitada por Milton Friedman (que também é Nobel de Economia) - nas minhas primeiras aula de Finanças I eu sempre comento sobre isso e sobre a autora de Harry Potter, que também foi rejeitada inicialmente.

O Professor Alexandre Ripamonti comentou de Granger e Modigliani e Miller, que também foram rejeitados e depois ganharam Nobel.

No artigo "Some thoughts on the development of cointegration" de Granger, destacou o Professor Ripamonti, ele traz logo na introdução: 

(...) Econometrica rejected the paper for various reasons, such as wanting a deeper theory and some discussion of the testing question and an application. As I knew little about testing I was very happy to accept Rob's offer of help with the revision. I re-did the representation theorem and he produced the test and application, giving a paper by Granger and Engle which evolved into a paper by Engle and Granger, whilst I was away for six months leave in Oxford and Canberra. This new paper was submitted to Econometrica but it was also rejected for not being sufficiently original. I was anxious to submit it to David Hendry's new econometrics journal but Rob wanted to explore other possibilities.

Para finalizar, até o momento em que parei de escrever esse post, o Professor Nakamura comentou sobre o caso de William Sharpe, do CAPM, que comentou em uma entrevista sobre suas rejeições e outros artigos clássicos de finanças que também foram rejeitados, a exemplo de "Market for Lemons" de Akerlof.

Outro caso que não foi discutido no grupo, mas que eu já postei aqui no Blog, é o do clássico artigo de James Ohlson. Leia o post "Ohlson não publicaria seu artigo no Brasil", em que o Professor Fernando Galdi comenta sobre o caso.

A moral da história é a seguinte: não desista após uma ou algumas rejeições. O Nobel ainda está por vir! kkkkk
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