quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

Como ingressar no mestrado?

De vez em quando recebemos algumas perguntas aqui nos comentários do blog, no Facebook ou por email. Algumas delas eu gosto de postar a resposta por aqui, por serem amplas o suficiente para atenderem a outras pessoas.

Essa é uma dessas perguntas, além de ser bem frequente!

Professor Felipe! Boa tarde! Eu sou bancário do XXXXXX e estou me formado em administração na YYYYY. No meu período acadêmico sempre gostei de pesquisas fui aluno PIBIC, PET e participei de grupos de pesquisas e estou me preparando para tentar entrar no mestrado da UFPB em 2018. Durante o ano de 2017 quero focar no meu TCC que quero usar para seleção do mestrado no fim do ano... queria saber do senhor alguma área que a banca gosta muito... algum assunto que eu devo focar em estudos em 2017 para conseguir uma aprovação na banca... teria como o senhor me indicar alguma área ou assunto q eu devo focar?

Então vamos lá. Dividi o post em duas partes.

COMENTÁRIOS COM BASE NOS DESTAQUES DA PERGUNTA DO ALUNO

Na pergunta do aluno, eu marquei três trechos em negrito e os colori, sobre os quais quero fazer os comentários de aquecimento.

No primeiro, o aluno informou que gosta de pesquisa e participou de projetos e grupos de pesquisa. Isso é um primeiro passo muito importante, porque contará pontos no currículo e sinalizará para a banca que a pessoa é interessada e que gosta de estudar.

No segundo, o aluno sinaliza que está se preparando com um ano de antecedência, aproximadamente. Apesar de não ser o ideal, é um bom tempo de preparação. 

Explicando melhor o "ideal": não é o ideal para quem nunca fez nada que o direcionasse ao caminho do mestrado. Um ano, definitivamente, não é um bom período de preparação. Todavia, o aluno já participou de alguns projetos e grupos de pesquisa, então imagino que o tempo de preparação dele para o mestrado será de mais de um ano (comentarei mais sobre isso na segunda parte do post).

No terceiro e último trecho, a pergunta foi relacionada a um assunto que a banca goste muito. Isso não deve ser perguntado a mim, pois não estou em bancas de seleção de mestrado, nem sei se estarei no ano que vem. O candidato a uma vaga de mestrado deve conhecer bem o programa no qual ele está pleiteando a sua vaga. 

Recomendo que os candidatos acessem a página do corpo docente do Programa (e.g. do PPGCC/UFPB) e vejam o que os Professores têm pesquisado. Assim poderá ver qual é o tema de interesse dos Professores, de modo a elaborar o seu Projeto com base nisso. 

Se chegar na etapa da entrevista, você poderá até sinalizar quem poderia te orientar neste tema. Além disso, às vezes há uma sinalização dos temas de interesse do Programa no próprio edital de seleção (e.g. Apêndice F do edital do PPGCC/UFPB).


DICAS GERAIS

1) Comece a se preparar o quanto antes! Eu comecei a me preparar, efetivamente, no quarto semestre (ou foi no terceiro, não lembro exatamente) da faculdade, quando tive aula com o Professor João Marcelo (que foi meu orientador da graduação, depois colega de turma do doutorado). Ele nos pediu para fazer um artigo, para uma das notas, eu gostei daquele negócio e resolvi fazer mestrado, porque queria ser Professor e pesquisador. 

Naquela época eu já gostava de ser Professor (dava aulas de matemática básica em um colégio), então a pesquisa é que foi o determinante na minha decisão.

O que foi que eu fiz para me preparar, faltando pelo menos dois anos para a seleção? Peguei os editais do Multi UnB/UFPB/UFRN e UFPE, vi o que eles pediam no currículo e tentei fazer ponto em todos os itens. Só não fiz ponto em atividades de extensão, porque na minha faculdade não tinha. Mas em todo o resto eu pontuei. Ah, também não pontuei em publicação em periódico, mas em evento sim.

Todavia, você deve se preparar desde o início do curso, se dedicando, aprendendo e tirando boas notas.

2) Estude inglês! Os melhores materiais do mundo, a menos que seja uma coisa muito específica do Brasil, estarão publicados em inglês, porque essa é a língua da ciência. Para aumentar o alcance dos trabalhos, as pessoas buscam publicar em inglês.

Dessa forma, no mestrado, você lerá 90% dos materiais em inglês.

Não fique se confiando no Google Tradutor, porque, além de perder tempo, a tradução não é lá das melhores.

Sabendo ler em inglês, você sinalizará aos Professores que terá menos dificuldade para acompanhar as aulas e poderá ler das principais e melhores fontes do mundo. Isso ajuda a produzir trabalhos de melhor qualidade. 

Além dessa parte subjetiva, objetivamente você terá uma prova de inglês. Então, estudem inglês.

P.s.: não é preciso ser fluente e sair falando tudo em inglês. É importante ler, porém se conseguir se comunicar, melhor ainda, pois você poderá participar de eventos internacionais.


3) Estude bem o edital e o conteúdo da prova! 

Além de somente estudar, refaça todas as provas do Programa onde você pretende ingressar.

Refaça de outros também. Quanto mais praticar melhor.

E não é apenas refazer. Refaça e as questões que estiverem erradas, procure estudar o seu erro.

4) Aprovado na prova, não há mais muito o que você possa fazer, porém antes disso é possível se dedicar a fazer um bom projeto de pesquisa!

Não deixe para fazer o projeto em cima da hora. 

Lá em cima eu falei que era importante conhecer o Programa e o que os Professores estavam pesquisando. Analise bem o currículo dos Professores e tente adequar uma coisa que você gostaria de estudar, com algo que um ou mais Professores estão pesquisando. Isso poderá reduzir o seu risco.

5) É preciso se fortalecer psicologicamente!

Antes de tentar passar por isso tudo, se pergunte: você quer mesmo isso para a sua vida? Serão horas e horas de estudo. Seus finais de semana e feriados serão ótimas oportunidades para estudar ainda mais. Nem todo mundo está disposto a isso. Porém eu achei que valeu à pena para mim.

Para se fortalecer psicologicamente e ganhar confiança, a única saída é estudar muito. Então se você decidir seguir essa vida, estude. Estude com força, como dizemos aqui no Nordeste. Não tem erro. Basta querer.

Leia um pouco mais sobre isso clicando aqui.

6) Não passar na primeira tentativa não é o fim do mundo! 

Caso não tenha conseguido a aprovação na primeira tentativa, minha recomendação é que você procure ver onde não foi tão bem e tente melhorar.

Não fique perdendo tempo pensando em teoria da conspiração. Isso é a maior baboseira. Os Processos Seletivos são muito objetivos e transparentes.

Se você foi reprovado no projeto, não custa nada tentar conversar com alguns membros da banca para saber onde errou, de modo a tentar melhorar para o próximo ano.

Outra sugestão é tentar ingressar como aluno especial. Ingressar como especial pode ser bom por dois motivos: você saberá se realmente é isso que você quer e poderá saber como os Professores do Programa pensam sobre pesquisa e tentar alinhas suas ideias às deles.

Temos que sempre tentar quebrar o status quo, porém não é bom arriscar em entrevistas. Alinhe suas ideias e depois de ingressar no Programa, é possível argumentar com o Professor se ele pode te orientar em uma área um pouco diferente. Tudo é questão de conversar, mas só arrisque após a aprovação. Durante o processo seletivo, sua missão é ir bem e minimizar riscos.

7) Para finalizar, listo abaixo alguns links que podem ajudar os futuros candidatos a mestrandos:







É isso aí. Quem tiver mais dicas ou perguntas, fique à vontade para participar nos comentários, por email ou por Facebook.

9 comentários:

  1. Ótimo texto, professor! Só fiquei com uma duvida, como é esse aluno especial que o senhor comentou durante o texto?

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    1. Obrigado, Rebeca!

      Existem duas formas de matrícula: aluno regular e aluno especial.

      A forma de ingresso do aluno regular é por meio do processo seletivo anual. O aluno se matricula normalmente, após a aprovação e tem um orientador.

      O aluno especial não foi selecionado no processo seletivo anual, porém foi selecionado para uma vaga de especial para cursar uma disciplina específica.

      Antes do início de cada semestre, os programas divulgam a quantidade de vagas de alunos especiais para cada disciplina. Cada professor determina a quantidade de vagas para a sua disciplina e a seleção, geralmente, é por meio do CRE do aluno.

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  2. Boa tarde, Felipe! Muito bom o artigo. Entretando, gostaria de uma informação adicional. Será que é possível conciliar um bom trabalho (banco) com um mestrado? Digo isso pois penso em fazer ja faz um tempo e a correria do meu trabalho me deixa apreensivo. Sempre achei que para cursar um mestrado ou doutorado era necessária ficar a disposição disto. Poderia compartilhar um pouco sobre isso? Forte abraço!

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    1. Boa tarde, Ricardo. Que bom que gostou.

      Várias pessoas, principalmente de uns anos para cá, fazem o mestrado e o doutorado sem deixar o trabalho.

      Alguns trabalhos são mais fáceis de gerenciar do que outros. Professores, por exemplo, têm horários mais flexíveis.

      No seu caso, você teria que conversar com o seu chefe para faltar alguns dias de trabalho na semana, ou trabalhar à noite nos dias das aulas.

      Outra opção é tentar um mestrado profissional. O "problema" é que na maioria dos casos eles não são "gratuitos". Mas vale muito à pena.

      Eu tenho vários amigos e alunos que fizeram o mestrado trabalhando em empregos "não-professor" e conseguiram sobreviver. Talvez você tenha mais dificuldade do que um aluno que só estuda, mas nada de outro mundo.

      Voltando para o meu caso: eu era Professor, Coordenador de uma faculdade particular. Nas segundas e terças eu não ia trabalhar, mas se precisassem de algo, eu resolvia por telefone ou email nesses dias. Nos demais dias eu estava lá na faculdade.

      Eu até recomendo que as pessoas trabalhem e não apenas estudem. Tem pesquisas que mostram que o desempenho de quem trabalha é melhor do que os que só estudam.

      É isso aí. Vá em frente!

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  3. Olá Professor! Sou formada em Contabilidade, Sempre gostei da área acadêmica,Mais acabei me encaminhando em direção ao Setor Público no qual hoje trabalho, já ouvi falar que o mestrado de Contabilidade da UFPB é voltado mais para área privada é verdade? É que a área pública é mínima, e quem escreve nessa área geralmente não passa. Precisamos de mais textos esclarecedores assim, obrigada!

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    1. Olá, M!

      Já foi verdade que o Programa era mais voltado para a área privada, porém nunca foi verdade de quem escreve nessa área geralmente não passa.

      O Professor Edilson Paulo, por exemplo, é da área privada, mas orientou uma dissertação de mestrado e uma tese de doutorado na área pública.

      Nós precisamos lembrar que as vagas são finitas e nem todo mundo passa. Como há concorrência, passa quem tiver as maiores notas.

      Todavia, para sua felicidade e de quem quer trabalhar na área pública, segue uma notícia muito boa: recentemente o Programa aprovou a entrada de mais 3 Professores. Dois deles são da área pública. Professor Dimas Queiroz e Professora Rossana Guerra.

      Aqui está o link com os Professores do Programa: http://www.ccsa.ufpb.br/ppgcc/contents/paginas/corpo-docente

      Espero vê-la (ou vê-lo) no Processo seletivo do ano que vem. Boa sorte!

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    2. Obrigada! Pelas informações

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