sexta-feira, 21 de outubro de 2016

Elevação do rating da Petrobras e o impacto no preço da ação

A imagem abaixo resume o efeito da notícia divulgada hoje de que a Moodys elevou o rating da Petrobras de B3 para B2. Ainda falta muito para deixar o "grau especulativo" e alcançar o "grau de investimento", porém não deixa de ser um bom passo (veja mais sobre a metodologia da Moodys aqui).

Retirado do Infomoney

Mas qual é a explicação fundamentalista para o efeito tão forte dessa notícia?

EFEITO NO CUSTO DE CAPTAÇÃO DE RECURSOS COM TERCEIROS

O spread pelo risco de default de uma empresa com classificação B3 é de 7,50% (em USD), enquanto que o spread de uma empresa com classificação B2 é de 6,50%. 

Só aí dá 1% de diferença no custo do capital de terceiros antes da dívida (Kd), em USD.

Considerando o Kd como sendo spread pelo risco de default + taxa livre de risco (Rf), temos os seguintes Kds:

Kd_B3 = 7,50% + 0,50% (considerei a Rf em USD sendo 0,50% por simplificação) = 8,00%
Kd_B2 = 6,50% + 0,50% = 7,00%

Assim, antes dos tributos, temos uma redução de 1% no Kd da empresa.


EFEITO NO CUSTO MÉDIO PONDERADO DE CAPITAL

Como o foco aqui é o Kd, vou fixar o custo do capital próprio (Ke) em 15% e a alíquota do IR em 30%. Considerei também 60% de capital de terceiros e 40% de capital próprio, a valores de mercado, na estrutura de capital.

Assim, o custo médio ponderado de capital da empresa (WACC) nas duas situações seria:

WACC_B3 = 40%*15% + 60%*(1-30%)*8% = 9,36%
WACC_B2 = 40%*15% + 60%*(1-30%)*7% = 8,94%

Nesta simulação (ressalto isso, pois esse post é apenas uma simulação) houve uma redução de 0,42% no WACC.

E NO CUSTO DA DÍVIDA?

Segundo dados do último balanço, a dívida era de R$ 398 bi (vamos supor US$ 130 bi).

Os juros poderiam ser:
Juros_B3 = 8%*130 = US$ 10,40
Juros_B2 = 7%*130 = US$ 9,10

É uma boa economia!

SABENDO DISSO...

Feitas essas contas rápidas, sem nem mesmo estimar o novo valor intrínseco da empresa, era de se esperar um bom impacto nos preços das ações. Não é mera especulação como algumas pessoas estão comentando por aí.

O investidor investe porque quer receber fluxo de caixa!

O risco de default reduzindo, reduz o custo de captação, que reduz o impacto negativo no fluxo de caixa da empresa - possibilitando investimentos mais baratos ou distribuição de dividendos.

Para quem quiser sair mais alguma coisa sobre custo da dívida e a operacionalização do cálculo, aqui estão uns slides que utilizo na minha aula sobre isso.

P.s.: quanto maior o risco de default, além de aumentar o Kd, é possível que haja também aumento do Ke e redução do fluxo de caixa livre (pelo risco de imagem). Eu fixei tudo, para analisarmos apenas o impacto do Kd

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