quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

Leasing operacional dentro do balanço

Hoje uma das matérias do Valor trouxe o seguinte texto, que causou algum susto para algumas pessoas:

Não há mais como adiar. Depois de mais de dez anos de discussões intermináveis, o órgão que edita as normas contábeis internacionais IFRS, adotadas no Brasil, publica hoje um pronunciamento que vai obrigar que as empresas registrem como dívida em seus balanços US$ 2,18 trilhões em contratos de leasing operacional que hoje são divulgados apenas em notas explicativas.

Como a matéria vem informando, isso não deveria causar muito espanto, uma vez que o assunto já vem sendo discutido há muito tempo. Na verdade pode causar algum espanto mesmo, porém por um outro motivo, pois eu acreditava que isso nunca fosse acontecer. Aconteceu!

Nós daqui do Blog, inclusive, temos alguns artigos publicados tratando sobre isso.

Em 2013 publicamos uma simulação para avaliar o impacto da capitalização do leasing operacional em alguns indicadores de estrutura das empresas de transportes (que possuem muitos milhões de R$ off balance sheet - em 2011 eram R$ 3,8 bilhões). A diferença foi muito significativa estatisticamente, para a maioria dos indicadores. Para a Gol, por exemplo, a alteração no tratamento do leasing operacional representava 65% do seu capital próprio e 33% do capital de terceiros. O artigo em que fizemos essa análise é intitulado Reflexos da Capitalização do Leasing Operacional nos Indicadores de Estrutura de Empresas do Subsetor de Transportes Listadas na Bovespa.

Em um outro artigo, denominado de "Value Relevance das informações de Leasing Operacional: um estudo em empresas brasileiras", foi encontrado que os valores do leasing operacional (individualmente) são relevantes para a determinação do valor de mercado das ações das empresas brasileiras, porém eles não melhoraram significativamente o poder explicativo dos ativos e passivos já existentes dentro dos balanços das empresas, uma vez que os investidores já devem conhecer esses valores, mesmo estando eles fora dos balanços (hipótese do mercado eficiente).

Outro post (de 2011) sobre esse tema aqui no blog, que eu recomendo a leitura: Projeto Conjunto do IASB e FASB Prometem Mudanças Significativas no Tratamento Contábil dos Contratos de Leasing.

Para entender melhor a situação do leasing operacional, recomendo que vejam a imagem abaixo, retirada da matéria publicada hoje no Valor:


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