quarta-feira, 14 de agosto de 2013

A lógica da escrita científica: alguns comentários [PARTE 3]

Continuando a série, hoje trataremos de pontos bem mais problemáticos e divergentes na visão de diversos avaliadores de revistas e membros de bancas de monografias.



INTRODUÇÃO E JUSTIFICATIVA
Volpato cita que algumas agências de fomento brasileiras exigem que a justificativa fique em uma seção após a introdução. Contudo, é na introdução onde os autores darão uma visão geral do seu trabalho, então a justificativa deveria estar dentro da introdução. 

Nos trabalhos que eu oriento, eu recomendo meus alunos a trabalharem assim. O problema é que alguns membros das bancas têm uma visão um pouco fechada... sendo assim, cabe ao aluno escolher o nível de risco que ele quer assumir. Na minha opinião, não faz muito sentido separar esses dois itens.

INFORMAÇÃO DESNECESSÁRIA
Toda seção de um texto científico (na verdade de qualquer texto) deve ser focada e ter a menor extensão possível. Para isso, os autores devem buscar incluir apenas o que for necessário para que o leitor entenda os resultados e conclusões do artigo.

É comum vermos em monografias de graduação/especialização e artigos de iniciação científica os autores falando sobre a história da contabilidade. O interessante é que em qualquer tema de pesquisa eles dão um jeito de incluir a história da contabilidade... da escrita em rochas até a convergência contábil internacional. 

Essa informação é necessária/relevante? Na maioria dos casos não! Então cabe aos autores parar, pensar e analisar de novo: se eu não tivesse escrito isso, o leitor entenderia os meus resultados?

Se a resposta for sim, é porque a sua informação é desnecessária. O que você tem a fazer é excluir esse trecho sem dó nem piedade. Na primeira parte dessa série eu repassei uma dica de Volpato, que diz que se você separar o texto em arquivos diferentes fica mais fácil de identificar trechos desnecessários. Recomendo que tentem de alguma forma.

Semana que vem encerramos essa série. Se alguém tiver algum ponto que precise de mais esclarecimentos ou dúvidas, basta comentar ou enviar email.

Até a próxima!

Confira as postagens anteriores da série: Parte 1 e Parte 2.

4 comentários:

  1. Bom dia professor!
    Nessa parte o senhor fala da irrelevância de se começar o artigo ou tese sobre História da Contabilidade.
    Uma dúvida.
    Por exemplo: Eu estou pesquisando sobre a importância dos Métodos Quantitativos a Contabilidade. Encontrei artigos (que pra mim)são muito bons. Sendo que, ainda, sou aluna e um pouco da elucidação histórica foi estimulante. Saber o porquê ajuda.
    Mas também, tem o outro lado. A banca examinadora. Quem vai estar analisando teu artigo. Então, fico a pensar. Devo escrever para a banca. Não é isso?

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    Respostas
    1. Bom dia, Paula.

      É o seguinte: existe uma diferença no que você lê e faz fichamento para estudar e entender o assunto que você está escrevendo, e o que você seleciona para estar no artigo.

      Quando estamos começando a pesquisar num tema novo é muito importante que busquemos a história para poder entender algumas coisas. Contudo, essa "história", na maioria das vezes, não deve estar no artigo final - pois já existem outros trabalhos falando disso e quem quiser ler, basta buscar o original, porque a contribuição do seu artigo é o que você traz de novo (é isso que o avaliador vai querer ver no seu trabalho).

      A resposta para a sua pergunta é: você deve escrever de modo que o leitor (dentre eles está o avaliador) entenda da melhor maneira possível e também sendo o mais objetivo possível. Você pode dedicar algumas poucas linhas a história do tema e citar os artigos que tratam disso. Aí o leitor que tiver interesse beberá direto da fonte.

      Espero ter ajudado.

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  2. Ajudou muito.
    Na produção do meu artigo não cometerei esse erro.
    Obrigada!

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