sexta-feira, 9 de agosto de 2013

A lógica da escrita científica: alguns comentários

Nas próximas semanas eu farei algumas postagens sobre um artigo que li sobre a lógica da escrita científica. O artigo é bem interessante, principalmente para aqueles que estão iniciando a sua vida acadêmica. Eu sigo a linha do framework sugerido pelo autor e em cada ponto eu faço alguns comentários. No artigo o autor trata de outros pontos que eu resolvi não tratar nas postagens, por exemplo: tempo do verbo, voz ativa/passiva e alguns pontos relacionados à introdução.


O artigo e os comentários foram divididos em 5 partes que serão publicadas nas segundas e quartas-feiras na seguinte ordem:

Parte 1: Introdução às falhas lógicas na redação científica;
Parte 2: A lógica do artigo e a especificidade do objetivo da pesquisa;
Parte 3: Introdução, justificativa e informações desnecessárias;
Parte 4: O estilo da escrita: a voz utilizada; e
Parte 5: Considerações finais sobre o artigo.

A parte 1 é essa, publicada hoje. Espero que gostem e que sirva para auxiliá-los em suas monografias e artigos.

PARTE 1:  Introdução às falhas lógicas na redação científica



Volpato (2010) inicia o texto falando que a importância das evidências empíricas aos cientistas cria uma diferença qualitativa entre ciência e filosofia. Dentre as diferenças estão o fato de que os cientistas não confiam na sua experiência pessoal, utilizando as evidências empíricas, que devem ter a característica de serem reproduzidas e confirmadas por outros pesquisadores (será por isso que replicamos tantos artigos estrangeiros aqui no Brasil?).

Para que as pesquisas se tornem atraentes e sejam passíveis de replicações para averiguar os resultados alheios é necessário que os pesquisadores compartilhem um framework da escrita científica. Essa comunicação, em forma de artigos científicos, deve ser apresentada de forma criativa, clara e concisa. 

Baseado neste framework, Volpato (2010) afirma que muitas pesquisas ainda carecem de uma base lógica forte, sendo assim, o artigo apresenta algumas "falhas lógicas" que causam erros na escrita científica.

No artigo o autor trata de outros pontos que eu resolvi não tratar nas postagens, por exemplo: tempo do verbo, voz ativa/passiva e alguns pontos relacionados à introdução.

FALHAS LÓGICAS NO PROCESSO DE PUBLICAÇÃO
            Alguns dos erros citados por Volpato estão relacionados ao fato de que alguns textos científicos são baseados apenas em evidências científicas fortes. Eu particularmente acredito que o texto científico deva, de fato, ser baseado em evidências que possam ser replicadas por outros pesquisadores, como o autor citou no início do texto. Contudo, Volpato argumenta que além da base empírica, os pesquisadores são seres humanos que são sujeitos à eventos psicológicos, dessa forma, também o universo psicológico dos leitores (que devem “aceitar” o que você diz), uma vez que eles também são pesquisadores.

A pergunta que eu me faço é: como fazer isso?

Deve-se, então, utilizar alguma estratégia de comunicação, porém nunca contradizer a lógica em favor da comunicação.

Assim finalizo essa primeira postagem de introdução desta nova série. Aguardem os próximos post que tratarão de pontos mais específicos do artigo, complementando com alguns comentários meus.

VOLPATO, G.L. The logic of scientific writing. Revista de Sistemas de Informação da FSMA, n.7, p.2-5, 2011.
 

3 comentários:

  1. A leitora Ana Paula Ferreira postou algumas dúvidas relacionadas a essa postagem pelo facebook.

    Apresento-a aqui, assim com a resposta, porque a dúvida dela pode ser de outros leitores:

    "Para que as pesquisas se tornem atraentes e sejam passíveis de replicações para averiguar os resultados alheios é necessário que os pesquisadores compartilhem um framework da escrita científica. Essa comunicação, em forma de artigos científicos, deve ser apresentada de forma criativa, clara e concisa"."

    Ana Paula, o framework ao qual eu (aqui no blog) e o autor do artigo nos referimos quer dizer que nós, quando estamos escrevendo nossos artigos, devemos seguir uma lógica que seja racional e "entendível" para os leitores e outros pesquisadores.

    Dessa forma eles poderão coletar os mesmos dados que nós utilizamos na nossa pesquisa para replicar (refazer a nossa pesquisa) e comparar com outras metodologias.

    A "replicação" é uma característica básica da ciência. Se uma pesquisa não é passível de replicação, ela não é uma pesquisa boa. Pois se eu tenho os mesmos dados que você utilizou em sua pesquisa e utilizei a mesma metodologia, nós deveríamos chegar ao mesmo resultado.

    Por isso é importante seguir uma linha lógica (framework) no processo de comunicação científica, de modo que as pessoas entendam perfeitamente o que você fez e como você fez.

    Espero que tenha sido esse o seu questionamento e que ele tenha sido resolvido.

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  2. Respostas
    1. Por nada. Sempre que sentir alguma necessidade de comentário extra, pode participar por aqui.

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