sexta-feira, 5 de outubro de 2012

Será relevante a regulação do EBITDA?

CVM edita regra para uniformizar indicador Ebitda
Sinceramente, pensei que esse dia nunca fosse chegar. Ouvi falar disso há alguns anos e só agora que ela apareceu.

Divulgo a notícia abaixo. Mas penso que o EBITDA é uma informação "extra" que as empresas fornecem (e de fato é). Acredita nela quem quiser. Quem preferir avaliar o investimento pelo EBITDA, que use sua própria metodologia. Jajá vamos regular o número de folhas que os relatórios podem ter (se é que não já tem uma Instrução CVM nº XXX para isso), porque divulgando páginas a mais ou a menos poderá levar o investidor a tomar uma decisão errada. Ficamos muito limitados pelas regulações que nos são impostas, isso não é tão bom assim.

Mas uma coisa muito boa eu consegui ver nisso: o EBITDA da Economática será padronizado. Bom para as pesquisas futuras!



Por Luciana Bruno | Do Rio
A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) editou ontem instrução que uniformiza o cálculo do lucro operacional antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) entre as empresas abertas brasileiras. A medida foi bem recebida pelo mercado, e poderá facilitar a análise de investimento, já que atualmente cada companhia tem sua própria metodologia, afirmaram gestores ouvidos pelo Valor.

Segundo José Carlos Bezerra, superintendente de normas contábeis da CVM, a instrução 527 disciplina a divulgação desse indicador. Até agora, o cálculo era feito de forma diferente por cada empresa que optasse por sua divulgação, que é facultativa.

"Existe um cálculo tradicional para o Ebitda, que está nos livros de finanças, e ele tem de ser atendido", explicou o superintendente. A empresa está autorizada a divulgar um Ebitda ajustado, calculado pela metodologia que achar mais adequada, desde que também publique o tradicional.

Ao escolher publicar os dois indicadores, a companhia também deve informar a metodologia. "Tem que divulgar tudo o que for necessário para que o investidor entenda como o Ebitda foi ajustado e possa refazer a conta se achar necessário", disse.

A instrução foi elogiada por gestores de investimentos, que consideraram a regra positiva e necessária para pôr fim à "bagunça" quando se refere ao cálculo usado pelas companhias para chegar a esse indicador.

Segundo André Querne, analista da Rio Gestão, o Ebitda é relevante para a análise de investimentos. "É coerente [a nova regra], pois se cada empresa fizer um ajuste diferente no Ebitda, acaba sendo um indicador não comparável", explicou.

O analista lembra que um dos métodos mais utilizados por gestores é o chamado "valor da firma", que é o FV/Ebitda - a soma do valor de mercado da companhia com sua dívida líquida sobre o Ebitda. Esse cálculo substituiu o P/L, a razão entre o patrimônio e o lucro líquido, indicador utilizado no mercado em meados dos anos 1990.

Querne indica que, atualmente, cada empresa adiciona indicadores ao Ebitda para melhor refletir as características do negócio em que atua. "Existem ajustes inerentes de cada empresa e de cada setor. A maior parte das empresas só divulga o ajustado, e não o tradicional", disse.

"A medida é positiva, porque não impede a empresa de divulgar o ajuste. Por outro lado, mostra qual é o padrão", completou. Além disso, a padronização também facilita a comparação com empresas estrangeiras.

Para um analista de gestora que não quis se identificar, hoje o cálculo do Ebitda é "uma bagunça, pois cada empresa calcula da maneira que lhe convém".

Por outro lado, na opinião de Reno Azevedo, analista da JGP Gestão de Recursos, a instrução editada pela CVM não terá impactos. "Não faz muita diferença. O que importa são as informações divulgadas pela empresa, pois nós mesmos fazemos o cálculo do Ebitda, com a nossa própria metodologia", disse.

A mudança passou por extenso debate no mercado. Segundo a CVM, a discussão foi bem recebida a colaboração dos interlocutores "influenciou muito a minuta final".

Fonte: Valor Econômico

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