segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Existirá distância entre o ensino/pesquisa e a prática?

Recentemente eu li um texto de um renomado professor (que será publicado em breve) onde ele defende que o ensino (no texto ele trata do tema específico da Contabilidade) não está distante da prática, do que vive e exige o mercado. Na disciplina de Teoria dos Ajustamentos Contábeis do Lucro, o professor Dionísio também defendia isso: o que é a teoria e o ensino da contabilidade se não a prática e a pesquisa das necessidades do mercado?

Eu, assim como eles, também acredito que o ensino da contabilidade também não esteja tão longe da prática, isso se estiver distante. A diferença é que no nosso contexto (aqui na Paraíba) a prática contábil é preenchimento de documentos fiscais, declaração de imposto de renda e coisas do tipo. Conhecimentos como esses não são enfatizandos na graduação (e não deveriam mesmo!!). A graduação deve ensinar os alunos a pensar para poder solucionar os problemas da prática.

Porém e nesse sentido, mas em um contexto diferente do nosso, um artigo de Richardson, Tuna e Wysocki (2010) mostrou algo um pouco diferente do que eu e os professores citados pensamos. Eles evidenciaram uma certa distância entre o ensino e a prática, na análise das demonstrações contábeis. (análise fundamentalista).

Os autores entrevistaram professores/pesquisadores e analistas de investimentos, sobre algumas questões relacionadas à sua área de atuação, obtendo respostas divergentes para as mesmas questões. Por exemplo, quando questionados Which risk model is most appropriate for risk calibration of an equity trading strategy?, enquanto 55% dos professores/pesquisadores recomendavam variações do modelo de Fama-French, apenas 29% dos analistas o recomendaram. A maior parte dos analistas (35%) recomendou o modelo CAPM, porém os acadêmicos não estão muito de acordo com essa ideia, chegando ao montante de 7% dos que o recomendam.

Depois dessa leitura, comecei a ter a mesma dúvida que tinha durante a graduação? será o ensino ou a pesquisa muito distante do que é a prática?

Artigo citado: Accounting anomalies and fundamental analysis: A review of recent research advances. doi:10.1016/j.jacceco.2010.09.008

2 comentários:

  1. Olá Felipe, essa temática muito me interessa, pois diversas vezes já me questionei quanto a isso, sala de aula - teoria - pesquisa - prática. Vou colocar minha opinião. O contexto de Belém, nesse aspecto, não é diferente de João Pessoa ou de outra cidade do Brasil, a exceção de São Paulo (apenas opinião). Então pensei, os livros, artigos, etc, abordam as grandes empresas, dos mais de 500.000 profissionais que temos, quantos prestam serviços para as grandes empresas? É a minoria, pois essas grandes empresas são poucas. Então o que fazer com nossa contabilidade para sair dessa "sinuca de bico". Aqui em Belém, eu procuro aplicar alguns procedimentos contábeis que são comuns das grandes empresas, em pequenas e médias, por exemplo, implantei um sistema de incentivo de remuneração em uma pequena empresa e em outra incentivei os proprietários a fazer participações dos lucros aos funcionários. Assim, consegui sair do tradicional preenchimento de guias e cálculo de folha. Ressalto que para aplicação desses procedimentos o profissional precisa de algum estratégia para demonstrar ao empresário o efeito disso. Em sala de aula também trabalho com essa perspectiva. Agora quanto à pesquisa, ai complica pois ainda não temos dados disponíveis dessas empresas (pequenas e média). Então uma diga, façamos as pesquisa com as grandes e tentamos aplicar na prática às pequenas e médias, com a devida cautela!
    É isso! Abraço!

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    Respostas
    1. Anderson, a saída é essa. Temos que ser intraempreendedores. Devemos tratar a empresa como se fosse nossa e mostrar aos "donos do capital" como gerenciar melhor as suas atividades.

      Obrigado pelo comentário e por compartilhar a sua experiência!

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